Planejamento de Longo Prazo e a Disputa pelo Futuro: reflexões a partir do Grupo de Trabalho de Longo Prazo do Conseplan

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Participei, em Brasília, no dia 05/05/2026, da reunião do Grupo de Trabalho da retomada do Planejamento de Longo Prazo no Brasil (GT Longo Prazo – Conseplan). Mais do que um espaço técnico, o GT revelou-se um ambiente fundamental de reflexão sobre os desafios estruturais do desenvolvimento brasileiro em um contexto de profundas transformações econômicas, tecnológicas, ambientais e sociais.

As discussões partiram da compreensão de que o Planejamento de Longo Prazo não pode se limitar a uma peça burocrática ou a um exercício abstrato de prospecção. Planejar é disputar projeto de sociedade. É compreender que o território, a infraestrutura, a educação, o trabalho, a sustentabilidade ambiental e a inovação tecnológica estão atravessados pelas contradições do capitalismo contemporâneo e pelas desigualdades históricas que marcam o Brasil.

Debatemos a necessidade de reconstrução das capacidades estatais, do fortalecimento da coordenação federativa e da retomada de uma visão estratégica de desenvolvimento capaz de articular crescimento econômico, redução das desigualdades e sustentabilidade socioambiental. Também esteve presente a preocupação com os impactos das transformações tecnológicas e da inteligência artificial sobre o mundo do trabalho, tema central para os estados brasileiros. O próprio debate aponta que a automação e a digitalização tendem a reconfigurar ocupações e ampliar desigualdades caso não existam políticas estruturadas de qualificação e inclusão produtiva.

Outro eixo importante das discussões foi a emergência de agendas transversais como economia circular, economia do cuidado, envelhecimento populacional, economia do mar e transição ecológica. O entendimento comum foi de que essas agendas precisam deixar de ocupar posição periférica nas políticas públicas e passar a estruturar o planejamento governamental de longo prazo. A economia circular, por exemplo, aparece como estratégia para reorganizar os padrões produtivos, reduzir desperdícios e alinhar desenvolvimento e sustentabilidade.

Grande parte dessas reflexões dialoga diretamente com o PDI Bahia 2050. O plano que estamos construindo na Bahia busca exatamente enfrentar esse desafio: pensar o desenvolvimento para além do curto prazo fiscal e eleitoral, articulando visão de futuro, participação social, estratégias territoriais e integração entre planejamento e orçamento. O debate realizado no âmbito do Conseplan reforça que o planejamento voltou ao centro da agenda nacional — e isso é resultado da percepção crescente de que o mercado, sozinho, é incapaz de enfrentar as desigualdades regionais, a crise climática e a exclusão social produzidas pela dinâmica contemporânea do capital.

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