Soberania sob cerco: a Venezuela como aviso e o Brasil no horizonte do império americano

A invasão da Venezuela por Donald Trump não é um desvio isolado nem um excesso retórico de valentia. É mais um capítulo de uma longa tradição imperial dos Estados Unidos contra a América Latina — uma política que atravessa séculos, governos democratas e republicanos, sustentada pela ideia de que o continente é quintal estratégico, reserva de recursos e zona de tutela permanente.

Do México amputado no século XIX ao golpe no Chile em 1973; da Guatemala de 1954 à Nicarágua dos anos 1980; do bloqueio criminoso a Cuba às operações híbridas contra Bolívia, Honduras e agora Venezuela, o método se repete: desestabilização política, guerra econômica, sanções ilegais, financiamento de opositores e, quando isso falha, a ameaça ou o uso direto da força. Trump apenas escancarou, sem verniz diplomático, aquilo que sempre esteve no núcleo da política externa norte-americana: soberania latino-americana é tolerada apenas quando submissa.

A Venezuela paga o preço de ousar controlar seu petróleo, definir alianças próprias e insistir em um projeto nacional fora da órbita de Washington. A invasão aberta e escancarada, não é defesa da democracia, mas punição exemplar. Um recado ao Sul Global: autonomia tem custo.

Diante disso, a pergunta é inevitável: quem será o próximo? O Brasil? Por quê? Porque concentra território, água, biodiversidade, energia, mercado interno e reservas estratégicas de terras raras, insumos centrais para a transição energética, a indústria militar e as novas tecnologias. Quando o Brasil ensaia soberania sobre esses ativos, vira alvo. A história ensina: ignorar o padrão é repetir tragédias; enfrentá-lo exige memória, integração regional e coragem política.

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Entendendo a crise das Havaianas: uma análise política e econômica

A crise recente envolvendo as Havaianas foi lida, no debate público brasileiro, mais como um episódio de guerra cultural do que como um fenômeno econômico. E esse é justamente o erro central. Quando se observa a trajetória da empresa com as ferramentas corretas da economia política, fica evidente que o barulho ideológico produzido pela direita não explica nem a origem nem os desdobramentos da crise.

Os números mostram que os problemas da Alpargatas começaram antes do episódio que virou munição para o boicote político. Em 2023, a empresa acumulou prejuízo da ordem de R$ 1,8 bilhão e uma retração de 15,7% nas vendas globais. Trata-se de uma crise típica de reestruturação produtiva, posicionamento de marca e reorganização de cadeias globais de valor — e não de um colapso causado por memes, vídeos ou indignação digital.

A extrema-direita brasileira, ao reduzir tudo à lógica do “cancelamento”, ignora um dado fundamental do capitalismo contemporâneo: o mercado relevante das grandes marcas é internacional. Rankings globais de moda indicam que, em 2025, as Havaianas figuram como um dos produtos mais desejados do mundo, com crescimento de 34% nas buscas globais e expansão significativa em mercados fora do Brasil. O consumo não responde à gritaria doméstica, mas à dinâmica concreta da circulação de mercadorias em escala mundial.

O dado mais revelador vem do pós-crise: após o pico do boicote ideológico, as vendas internacionais da marca cresceram cerca de 20% no período subsequente, e o faturamento global acumulou alta superior a 80% em 12 meses. O capital não se move por ressentimento, mas por valorização.

Quem perde, portanto, não é a empresa. Quem perde é uma direita que troca análise materialista por moralismo raso, confundindo bolha digital com economia real. O mundo é maior que o WhatsApp político — e o capital sabe disso muito bem.

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Os Novos Triângulos do Poder: Brasil, China e Estados Unidos

A geopolítica do século XXI se redesenha diante dos olhos de um Brasil que tenta equilibrar pragmatismo e soberania. De um lado, a China consolida-se como o principal parceiro comercial do país, comprando soja, minério e petróleo e investindo em infraestrutura e tecnologia. De outro, os Estados Unidos seguem sendo uma potência militar e financeira incontornável, cuja influência ainda permeia organismos multilaterais, cadeias produtivas e setores estratégicos do Estado brasileiro.

O desafio é que, ao contrário da Guerra Fria, a disputa sino-americana não se dá por territórios, mas por controle de fluxos — de dados, energia, conhecimento e valor agregado. O Brasil, com seu peso ambiental e potencial industrial, pode ser pivô de uma nova diplomacia produtiva e sustentável, mas precisa escapar do papel de mero exportador de commodities. A relação com a China oferece oportunidades de industrialização verde e tecnológica, desde que o país saiba negociar transferência de tecnologia e não aceite o lugar subalterno na divisão internacional do trabalho. Já com os EUA, há espaço para cooperação em inovação e economia criativa, mas é preciso cuidado: a pressão por alinhamento geopolítico tende a reativar o velho dilema da dependência.

Entre Washington e Pequim, o Itamaraty deve reafirmar o Sul Global como espaço de construção autônoma — não como “terceira via” passiva, mas como bloco de países que ousa pensar o desenvolvimento fora do eixo dólar-yuan. O Brasil tem condições de ser mediador e protagonista, desde que compreenda que soberania, hoje, é também capacidade tecnológica e ambiental.

O futuro da diplomacia brasileira dependerá menos de escolher lados e mais de afirmar o seu próprio.

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Brasil e Bahia rumo à COP-30: o futuro em planejamento

A Estratégia Brasil 2050 e o PDI Bahia 2050 mostram grande sinergia para planejar o futuro com base em sustentabilidade, inovação e justiça social. A estratégia nacional propõe um novo ciclo de desenvolvimento verde, com foco em reindustrialização limpa e fortalecimento institucional. Já o plano baiano traduz essa visão em ações territoriais, priorizando energia renovável, bioeconomia, agricultura familiar de baixo carbono, cidades inclusivas e economia criativa.

A COP-30, que neste ano será sediada em Belém, não é apenas uma conferência ambiental — é um marco para repensar o desenvolvimento brasileiro. O evento coloca o país no centro do debate sobre clima e transição ecológica, e a Bahia desponta como um dos estados mais preparados para transformar compromissos em políticas concretas.

Na COP-30, Brasil e Bahia têm a chance de mostrar que o planejamento de longo prazo é o caminho para uma transição justa e produtiva. Ao articular políticas, ciência e participação social, a Bahia pode ser exemplo de que é possível crescer protegendo o meio ambiente e reduzindo desigualdades.

Procure saber: Estratégia Brasil 2050 e Plano de Deasenvolvimento Integrado – PDI Bahia 2050

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Planejar o Longo Prazo é um Ato de Responsabilidade Intergeracional

Ranieri Muricy Barreto, é superintendente de Planejamento Estratégico da SEPLAN-Governo da Bahia, economista e professor universitário

O futuro não é um destino inevitável, mas uma construção coletiva. Esta é a premissa que inspira o novo ciclo de planejamento estratégico da Bahia, materializado na atualização do Plano de Desenvolvimento Integrado – o PDI Bahia 2050. Ao projetar um horizonte de 25 anos, estamos reafirmando que o Estado deve liderar a formulação de uma visão de futuro estruturada, pactuada e orientadora das ações públicas.

Planejar o longo prazo, em um país marcado pela fragmentação política e pelas urgências do cotidiano, é um gesto contra-hegemônico. Significa, numa leitura de Celso Furtado, recusar o subdesenvolvimento como destino e colocar a capacidade de imaginar alternativas no centro da ação pública. O PDI Bahia 2050 não é apenas um documento técnico — é uma ferramenta política, social e simbólica, que conjuga método e compromisso ético.

O governo da Bahia conduziu um processo participativo e tecnicamente robusto, com escutas territoriais, entrevistas com especialistas, oficinas temáticas e análise de cenários. Mais de 70 indicadores estaduais e 50 macroterritoriais foram elaborados para qualificar o diagnóstico. O plano parte de um olhar atento às tendências contemporâneas — como a transição energética, o avanço da agroecologia, o crescimento do turismo sustentável e as mudanças demográficas aceleradas —, mas também reconhece riscos estruturais: os efeitos das mudanças climáticas, a concentração da economia no litoral e a necessidade de uma gestão pública mais integrada e resolutiva.

Como ensinava Ignácio Rangel, o desenvolvimento não ocorre em linha reta, mas em ciclos e rupturas. Por isso, optamos por trabalhar com cenários múltiplos, que nos permitem pensar políticas públicas sob diferentes futuros possíveis. Planejar é organizar a ação diante da incerteza — não para controlá-la, mas para enfrentá-la com inteligência estratégica.

Outro pilar do plano é a governança. Como alertava Maria da Conceição Tavares, o Estado tem um papel central do desenvolvimento, sem ele não há desenvolvimento. O PDI Bahia 2050 estrutura mecanismos de coordenação, articulação institucional e integração o Plano Plurianual (PPA) e, particularmente, com o orçamento público. Mas a responsabilidade intergeracional exige ir além do Estado: envolve também o engajamento do setor privado, da academia, dos movimentos sociais, da juventude e da sociedade civil organizada. É dessa governança inclusiva que nasce a possibilidade de um futuro que não seja apenas sonhado, mas efetivamente construído de forma estratégica e coletiva.

A juventude ocupa lugar central porque será a principal beneficiária das transformações de longo prazo e, ao mesmo tempo, a geração chamada a construir o seu próprio futuro, assumindo liderança em inovação, cidadania e sustentabilidade. Ao ampliar essa rede de corresponsabilidade, o PDI transforma visão de futuro em Eixos, Temas e Objetivos Estratégicos que se desdobram em estratégias de desenvolvimento do Estado, com metas e indicadores de longo prazo.

O PDI é, acima de tudo, uma convocação à responsabilidade intergeracional. A juventude, que viverá plenamente os próximos 25 anos, não pode ser apenas destinatária das políticas, mas protagonista na sua concepção, execução e monitoramento. A experiência internacional nos mostra — da Finlândia à Coreia do Sul — que nações que planejam com visão estratégica e continuidade institucional tendem a responder melhor aos desafios sociais e tecnológicos do século XXI.

Planejar o futuro é um ato político de coragem. É garantir que o desenvolvimento não seja privilégio de poucos, mas um direito de todos os baianos e baianas — em todos os territórios, com justiça social, sustentabilidade, inovação e protagonismo juvenil. Que o futuro que desejamos não seja apenas sonhado, mas estrategicamente construído.

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Bolsonaro e a engrenagem de lavagem que ameaça a democracia: R$ 44 milhões em transações suspeitas

O relatório da Polícia Federal revela que Jair Bolsonaro movimentou cerca de R$ 44,3 milhões entre março de 2023 e junho de 2025, o que levanta questionamentos graves sobre a natureza dessas receitas e sua transparência. O uso maciço do Pix — cerca de R$ 20,7 milhões — ressalta não apenas a conveniência da ferramenta, mas também sua opacidade em situações de potencial irregularidade. Adicionalmente, transações atípicas foram identificadas: um repasse de R$ 2 milhões a Eduardo Bolsonaro em maio de 2025; pequenas remessas de R$ 30 mil e R$ 40 mil enquanto Eduardo estava nos EUA; uma transferência de R$ 2 milhões a Michelle Bolsonaro na véspera de depoimento à PF; além de quase R$ 131 mil em dinheiro vivo em 40 operações, entre janeiro e julho de 2025.

Tais movimentações provocam sérias inquietações do ponto de vista econômico e institucional. Vejo que esse volume expressivo de recursos, especialmente via Pix, exige auditorias rigorosas e imediatas. Estã claro que se trata de bandidagem, quadrilha que atua na lavagem de dinheiro com esquemas ilegítimos que agravam a erosão da confiança pública nas instituições. Transparência fiscal não é mérito ideológico, é condição essencial para a legitimidade do sistema democrático. Não basta a defesa alegar surpresa ou ausência de descumprimento de medidas cautelares: é imprescindível que as investigações avancem rápido e com profundidade, sob pena de normalizarmos práticas que corroem o mínimo de integridade que se espera da elite política e econômica.

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25 de Julho – Agricultura Familiar como Pilar do Desenvolvimento Sustentável na Bahia

25 de Julho – Agricultura Familiar como Pilar do Desenvolvimento Sustentável na Bahia
Por Ranieri Muricy Barreto

O Dia Internacional da Agricultura Familiar, celebrado em 25 de julho, é mais do que uma homenagem simbólica. É um chamado à valorização de quem alimenta o Brasil e cuida do território. Na Bahia, essa data assume um peso ainda maior: somos o estado com o maior número de estabelecimentos da agricultura familiar no país, com mais de 600 mil unidades produtivas distribuídas nos mais diversos biomas e territórios.

Dados do Censo Agropecuário apontam que 87% dos estabelecimentos rurais baianos se enquadram na categoria de agricultura familiar. Este segmento não é apenas numeroso — ele responde por quase um quarto da produção agropecuária estadual, com papel decisivo na segurança alimentar, na preservação da sociobiodiversidade e na dinamização econômica dos municípios do interior.

O perfil dessa agricultura também revela transformações importantes: há uma crescente presença de jovens e mulheres no campo, fortalecendo o protagonismo de novos sujeitos sociais comprometidos com práticas agroecológicas, geração de renda e sucessão rural.

Nos últimos anos, programas públicos e crédito rural, como o Pronaf, vêm sendo ampliados. Na safra 2023/2024, foram R$ 2,97 bilhões investidos só na Bahia, um avanço de mais de 50% em relação à safra anterior. Ao todo, somando políticas estaduais e federais, são mais de R$ 4 bilhões aplicados na estruturação da produção, agroindustrialização, comercialização e assistência técnica.

Esse esforço começa a se refletir nos territórios: a Bahia lidera a produção de umbu, licuri, caprinos e ovinos, e avança em iniciativas sustentáveis como os sistemas agroflorestais no sul do estado e a difusão de tecnologias sociais voltadas ao semiárido, como o programa Reniva, que distribui mudas de mandioca com alta produtividade e resistência.

A agricultura familiar é, antes de tudo, um modo de vida. Nela estão enraizados saberes tradicionais, práticas produtivas resilientes e valores que apontam para uma nova ruralidade — mais justa, diversa e sustentável.

Neste 25 de julho, celebrar a agricultura familiar é reafirmar seu papel estratégico no desenvolvimento da Bahia. Mais que um setor produtivo, ela é um vetor de transformação social, ambiental e econômica.

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Centro de Governo como pilar estratégico: reconhecimento nacional ao planejamento de longo prazo

Receber o reconhecimento nacional no I Congresso Conseplan: Reconstrução do Planejamento Nacional, com o artigo “Centro de Governo como ferramenta estratégica para gestão subnacional”, de autoria de Ariadne Muricy Barreto, Isabella Paim e Ranieri Muricy, é mais que uma honra profissional: é um sinal de que o planejamento voltou à cena como uma das principais ferramentas de reconstrução institucional no Brasil. Entre 206 trabalhos apresentados, sermos destacados entre os 9 mais relevantes mostra que há sede por governança estratégica e articulação federativa.

Este prêmio dialoga diretamente com outro artigo que defendi: Planejamento de longo prazo para um desenvolvimento sustentável: a convergência entre o curto e o longo prazos. Ambos os textos compartilham a crítica à armadilha do imediatismo e à cultura da descontinuidade que marcam nossa trajetória histórica. Reforçam o papel do Estado como agente estratégico, capaz de pensar o futuro com justiça social, sustentabilidade e inovação — como Celso Furtado, Hirschman e Amartya Sen nos ensinaram.

Dedico este reconhecimento aos céticos que nunca acreditaram no planejamento — e também aos planejadores céticos que esqueceram como se pensa o futuro. Planejar é resistir ao improviso, à fragmentação e ao curto-prazismo que corroem a capacidade do Estado de servir à maioria. Planejar é, sobretudo, um ato de esperança política.

Este reconhecimento não é um ponto de chegada, mas um impulso para seguirmos contribuindo com a reconstrução do planejamento público em nosso país. Que a Estratégia Brasil 2050, e o Planejamento de Longo Prazo reforcem o compromisso com o desenvolvimento territorial integrado e ganhem força e voz. O futuro precisa de nós — e ele começa agora.

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Educação e produtividade: o futuro do trabalho no Brasil

O crescimento da produtividade do trabalho no Brasil tem sido insuficiente diante das necessidades de desenvolvimento inclusivo. Entre 1995 e 2024, o avanço médio foi de apenas 0,8% ao ano, reflexo de um modelo econômico marcado por incertezas, juros estruturalmente altos e um ambiente de negócios que favorece setores já consolidados, em detrimento da inovação e da produção de valor, segundo dados do Observatório da Produtividade (FGV-IBRE).

Apesar disso, houve progresso significativo no capital humano. A escolaridade da força de trabalho melhorou: em 1992, dois terços não tinham o ensino fundamental completo; em 2024, dois terços alcançaram ao menos o ensino médio. Essa transformação sustentou parte do modesto crescimento da produtividade e contribuiu para reduzir a informalidade e ampliar a renda. O Índice de Capital Humano cresceu 2,2% ao ano no período, demonstrando o papel da educação no desenvolvimento.

Entretanto, os ganhos se concentram na agropecuária, setor altamente tecnificado, mas com baixa absorção de mão de obra. Serviços e indústria, que empregam a maioria da população, seguem estagnados ou em queda.

Na Bahia, o cenário é semelhante. Segundo o PDI Bahia 2035/2050, no cenário inercial, a produtividade — medida como produto por trabalhador — cresce 1% ao ano, mantendo-se em 63% da média nacional. No cenário de referência, com políticas públicas consistentes, pode crescer 2,6% ao ano, alcançando 81% da média nacional em 2050. Isso representaria um salto de R$ 66 mil para R$ 138 mil por trabalhador, a preços de 2022.

Superar esse quadro exige mais que reformas pró-mercado: requer reorganização orçamentária, investimento em infraestrutura, valorização do trabalho e um Estado capaz de liderar um projeto nacional de produtividade com inclusão, aumentos salariais, integração produtiva e soberania econômica.

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EUA x China: A Guerra Comercial e os Desafios do Brasil na Periferia do Capitalismo

A escalada tarifária entre EUA e China, iniciada em 2018, envolveu sucessivos aumentos de tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos comercializados entre as duas maiores economias do mundo. Esse movimento, fruto de disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas, gerou incertezas no comércio global e afetou países muito além dos dois protagonistas — inclusive o Brasil.

Mas o que são tarifas? Tarifas são impostos sobre importações. Quando os EUA elevaram tarifas sobre produtos chineses, e a China retaliou, os custos desses bens aumentaram, levando empresas a buscarem fornecedores alternativos. Aí entra o Brasil.

Por um lado, isso abriu oportunidades. Exportadores brasileiros de soja, por exemplo, se beneficiaram da menor compra dos EUA pela China, que aumentou sua demanda pelo grão brasileiro. O mesmo ocorreu com carne bovina, celulose e minério de ferro. Mas vale refletir: são setores/produtos de baixo processamento industrial e com forte impacto ambiental. Aparentemente ganhamos, mas reforçando uma pauta primária-exportadora e dependente.

Por outro lado, a instabilidade global e a retração no comércio afetam as economias periféricas com mais intensidade. Países como o Brasil, que ainda não concluíram seu processo de industrialização, tornam-se mais vulneráveis a choques externos. Isso reforça a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento que valorize a indústria, a ciência e a integração regional.

Em resumo, enquanto a disputa entre potências revela as contradições do capitalismo global, o Brasil precisa olhar para dentro, com soberania e planejamento de longo prazo. Só assim transformaremos conjunturas em oportunidades reais de desenvolvimento inclusivo.

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