Brasil e Bahia rumo à COP-30: o futuro em planejamento

A Estratégia Brasil 2050 e o PDI Bahia 2050 mostram grande sinergia para planejar o futuro com base em sustentabilidade, inovação e justiça social. A estratégia nacional propõe um novo ciclo de desenvolvimento verde, com foco em reindustrialização limpa e fortalecimento institucional. Já o plano baiano traduz essa visão em ações territoriais, priorizando energia renovável, bioeconomia, agricultura familiar de baixo carbono, cidades inclusivas e economia criativa.

A COP-30, que neste ano será sediada em Belém, não é apenas uma conferência ambiental — é um marco para repensar o desenvolvimento brasileiro. O evento coloca o país no centro do debate sobre clima e transição ecológica, e a Bahia desponta como um dos estados mais preparados para transformar compromissos em políticas concretas.

Na COP-30, Brasil e Bahia têm a chance de mostrar que o planejamento de longo prazo é o caminho para uma transição justa e produtiva. Ao articular políticas, ciência e participação social, a Bahia pode ser exemplo de que é possível crescer protegendo o meio ambiente e reduzindo desigualdades.

Procure saber: Estratégia Brasil 2050 e Plano de Deasenvolvimento Integrado – PDI Bahia 2050

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Planejar o Longo Prazo é um Ato de Responsabilidade Intergeracional

Ranieri Muricy Barreto, é superintendente de Planejamento Estratégico da SEPLAN-Governo da Bahia, economista e professor universitário

O futuro não é um destino inevitável, mas uma construção coletiva. Esta é a premissa que inspira o novo ciclo de planejamento estratégico da Bahia, materializado na atualização do Plano de Desenvolvimento Integrado – o PDI Bahia 2050. Ao projetar um horizonte de 25 anos, estamos reafirmando que o Estado deve liderar a formulação de uma visão de futuro estruturada, pactuada e orientadora das ações públicas.

Planejar o longo prazo, em um país marcado pela fragmentação política e pelas urgências do cotidiano, é um gesto contra-hegemônico. Significa, numa leitura de Celso Furtado, recusar o subdesenvolvimento como destino e colocar a capacidade de imaginar alternativas no centro da ação pública. O PDI Bahia 2050 não é apenas um documento técnico — é uma ferramenta política, social e simbólica, que conjuga método e compromisso ético.

O governo da Bahia conduziu um processo participativo e tecnicamente robusto, com escutas territoriais, entrevistas com especialistas, oficinas temáticas e análise de cenários. Mais de 70 indicadores estaduais e 50 macroterritoriais foram elaborados para qualificar o diagnóstico. O plano parte de um olhar atento às tendências contemporâneas — como a transição energética, o avanço da agroecologia, o crescimento do turismo sustentável e as mudanças demográficas aceleradas —, mas também reconhece riscos estruturais: os efeitos das mudanças climáticas, a concentração da economia no litoral e a necessidade de uma gestão pública mais integrada e resolutiva.

Como ensinava Ignácio Rangel, o desenvolvimento não ocorre em linha reta, mas em ciclos e rupturas. Por isso, optamos por trabalhar com cenários múltiplos, que nos permitem pensar políticas públicas sob diferentes futuros possíveis. Planejar é organizar a ação diante da incerteza — não para controlá-la, mas para enfrentá-la com inteligência estratégica.

Outro pilar do plano é a governança. Como alertava Maria da Conceição Tavares, o Estado tem um papel central do desenvolvimento, sem ele não há desenvolvimento. O PDI Bahia 2050 estrutura mecanismos de coordenação, articulação institucional e integração o Plano Plurianual (PPA) e, particularmente, com o orçamento público. Mas a responsabilidade intergeracional exige ir além do Estado: envolve também o engajamento do setor privado, da academia, dos movimentos sociais, da juventude e da sociedade civil organizada. É dessa governança inclusiva que nasce a possibilidade de um futuro que não seja apenas sonhado, mas efetivamente construído de forma estratégica e coletiva.

A juventude ocupa lugar central porque será a principal beneficiária das transformações de longo prazo e, ao mesmo tempo, a geração chamada a construir o seu próprio futuro, assumindo liderança em inovação, cidadania e sustentabilidade. Ao ampliar essa rede de corresponsabilidade, o PDI transforma visão de futuro em Eixos, Temas e Objetivos Estratégicos que se desdobram em estratégias de desenvolvimento do Estado, com metas e indicadores de longo prazo.

O PDI é, acima de tudo, uma convocação à responsabilidade intergeracional. A juventude, que viverá plenamente os próximos 25 anos, não pode ser apenas destinatária das políticas, mas protagonista na sua concepção, execução e monitoramento. A experiência internacional nos mostra — da Finlândia à Coreia do Sul — que nações que planejam com visão estratégica e continuidade institucional tendem a responder melhor aos desafios sociais e tecnológicos do século XXI.

Planejar o futuro é um ato político de coragem. É garantir que o desenvolvimento não seja privilégio de poucos, mas um direito de todos os baianos e baianas — em todos os territórios, com justiça social, sustentabilidade, inovação e protagonismo juvenil. Que o futuro que desejamos não seja apenas sonhado, mas estrategicamente construído.

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Bolsonaro e a engrenagem de lavagem que ameaça a democracia: R$ 44 milhões em transações suspeitas

O relatório da Polícia Federal revela que Jair Bolsonaro movimentou cerca de R$ 44,3 milhões entre março de 2023 e junho de 2025, o que levanta questionamentos graves sobre a natureza dessas receitas e sua transparência. O uso maciço do Pix — cerca de R$ 20,7 milhões — ressalta não apenas a conveniência da ferramenta, mas também sua opacidade em situações de potencial irregularidade. Adicionalmente, transações atípicas foram identificadas: um repasse de R$ 2 milhões a Eduardo Bolsonaro em maio de 2025; pequenas remessas de R$ 30 mil e R$ 40 mil enquanto Eduardo estava nos EUA; uma transferência de R$ 2 milhões a Michelle Bolsonaro na véspera de depoimento à PF; além de quase R$ 131 mil em dinheiro vivo em 40 operações, entre janeiro e julho de 2025.

Tais movimentações provocam sérias inquietações do ponto de vista econômico e institucional. Vejo que esse volume expressivo de recursos, especialmente via Pix, exige auditorias rigorosas e imediatas. Estã claro que se trata de bandidagem, quadrilha que atua na lavagem de dinheiro com esquemas ilegítimos que agravam a erosão da confiança pública nas instituições. Transparência fiscal não é mérito ideológico, é condição essencial para a legitimidade do sistema democrático. Não basta a defesa alegar surpresa ou ausência de descumprimento de medidas cautelares: é imprescindível que as investigações avancem rápido e com profundidade, sob pena de normalizarmos práticas que corroem o mínimo de integridade que se espera da elite política e econômica.

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25 de Julho – Agricultura Familiar como Pilar do Desenvolvimento Sustentável na Bahia

25 de Julho – Agricultura Familiar como Pilar do Desenvolvimento Sustentável na Bahia
Por Ranieri Muricy Barreto

O Dia Internacional da Agricultura Familiar, celebrado em 25 de julho, é mais do que uma homenagem simbólica. É um chamado à valorização de quem alimenta o Brasil e cuida do território. Na Bahia, essa data assume um peso ainda maior: somos o estado com o maior número de estabelecimentos da agricultura familiar no país, com mais de 600 mil unidades produtivas distribuídas nos mais diversos biomas e territórios.

Dados do Censo Agropecuário apontam que 87% dos estabelecimentos rurais baianos se enquadram na categoria de agricultura familiar. Este segmento não é apenas numeroso — ele responde por quase um quarto da produção agropecuária estadual, com papel decisivo na segurança alimentar, na preservação da sociobiodiversidade e na dinamização econômica dos municípios do interior.

O perfil dessa agricultura também revela transformações importantes: há uma crescente presença de jovens e mulheres no campo, fortalecendo o protagonismo de novos sujeitos sociais comprometidos com práticas agroecológicas, geração de renda e sucessão rural.

Nos últimos anos, programas públicos e crédito rural, como o Pronaf, vêm sendo ampliados. Na safra 2023/2024, foram R$ 2,97 bilhões investidos só na Bahia, um avanço de mais de 50% em relação à safra anterior. Ao todo, somando políticas estaduais e federais, são mais de R$ 4 bilhões aplicados na estruturação da produção, agroindustrialização, comercialização e assistência técnica.

Esse esforço começa a se refletir nos territórios: a Bahia lidera a produção de umbu, licuri, caprinos e ovinos, e avança em iniciativas sustentáveis como os sistemas agroflorestais no sul do estado e a difusão de tecnologias sociais voltadas ao semiárido, como o programa Reniva, que distribui mudas de mandioca com alta produtividade e resistência.

A agricultura familiar é, antes de tudo, um modo de vida. Nela estão enraizados saberes tradicionais, práticas produtivas resilientes e valores que apontam para uma nova ruralidade — mais justa, diversa e sustentável.

Neste 25 de julho, celebrar a agricultura familiar é reafirmar seu papel estratégico no desenvolvimento da Bahia. Mais que um setor produtivo, ela é um vetor de transformação social, ambiental e econômica.

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Centro de Governo como pilar estratégico: reconhecimento nacional ao planejamento de longo prazo

Receber o reconhecimento nacional no I Congresso Conseplan: Reconstrução do Planejamento Nacional, com o artigo “Centro de Governo como ferramenta estratégica para gestão subnacional”, de autoria de Ariadne Muricy Barreto, Isabella Paim e Ranieri Muricy, é mais que uma honra profissional: é um sinal de que o planejamento voltou à cena como uma das principais ferramentas de reconstrução institucional no Brasil. Entre 206 trabalhos apresentados, sermos destacados entre os 9 mais relevantes mostra que há sede por governança estratégica e articulação federativa.

Este prêmio dialoga diretamente com outro artigo que defendi: Planejamento de longo prazo para um desenvolvimento sustentável: a convergência entre o curto e o longo prazos. Ambos os textos compartilham a crítica à armadilha do imediatismo e à cultura da descontinuidade que marcam nossa trajetória histórica. Reforçam o papel do Estado como agente estratégico, capaz de pensar o futuro com justiça social, sustentabilidade e inovação — como Celso Furtado, Hirschman e Amartya Sen nos ensinaram.

Dedico este reconhecimento aos céticos que nunca acreditaram no planejamento — e também aos planejadores céticos que esqueceram como se pensa o futuro. Planejar é resistir ao improviso, à fragmentação e ao curto-prazismo que corroem a capacidade do Estado de servir à maioria. Planejar é, sobretudo, um ato de esperança política.

Este reconhecimento não é um ponto de chegada, mas um impulso para seguirmos contribuindo com a reconstrução do planejamento público em nosso país. Que a Estratégia Brasil 2050, e o Planejamento de Longo Prazo reforcem o compromisso com o desenvolvimento territorial integrado e ganhem força e voz. O futuro precisa de nós — e ele começa agora.

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Educação e produtividade: o futuro do trabalho no Brasil

O crescimento da produtividade do trabalho no Brasil tem sido insuficiente diante das necessidades de desenvolvimento inclusivo. Entre 1995 e 2024, o avanço médio foi de apenas 0,8% ao ano, reflexo de um modelo econômico marcado por incertezas, juros estruturalmente altos e um ambiente de negócios que favorece setores já consolidados, em detrimento da inovação e da produção de valor, segundo dados do Observatório da Produtividade (FGV-IBRE).

Apesar disso, houve progresso significativo no capital humano. A escolaridade da força de trabalho melhorou: em 1992, dois terços não tinham o ensino fundamental completo; em 2024, dois terços alcançaram ao menos o ensino médio. Essa transformação sustentou parte do modesto crescimento da produtividade e contribuiu para reduzir a informalidade e ampliar a renda. O Índice de Capital Humano cresceu 2,2% ao ano no período, demonstrando o papel da educação no desenvolvimento.

Entretanto, os ganhos se concentram na agropecuária, setor altamente tecnificado, mas com baixa absorção de mão de obra. Serviços e indústria, que empregam a maioria da população, seguem estagnados ou em queda.

Na Bahia, o cenário é semelhante. Segundo o PDI Bahia 2035/2050, no cenário inercial, a produtividade — medida como produto por trabalhador — cresce 1% ao ano, mantendo-se em 63% da média nacional. No cenário de referência, com políticas públicas consistentes, pode crescer 2,6% ao ano, alcançando 81% da média nacional em 2050. Isso representaria um salto de R$ 66 mil para R$ 138 mil por trabalhador, a preços de 2022.

Superar esse quadro exige mais que reformas pró-mercado: requer reorganização orçamentária, investimento em infraestrutura, valorização do trabalho e um Estado capaz de liderar um projeto nacional de produtividade com inclusão, aumentos salariais, integração produtiva e soberania econômica.

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EUA x China: A Guerra Comercial e os Desafios do Brasil na Periferia do Capitalismo

A escalada tarifária entre EUA e China, iniciada em 2018, envolveu sucessivos aumentos de tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos comercializados entre as duas maiores economias do mundo. Esse movimento, fruto de disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas, gerou incertezas no comércio global e afetou países muito além dos dois protagonistas — inclusive o Brasil.

Mas o que são tarifas? Tarifas são impostos sobre importações. Quando os EUA elevaram tarifas sobre produtos chineses, e a China retaliou, os custos desses bens aumentaram, levando empresas a buscarem fornecedores alternativos. Aí entra o Brasil.

Por um lado, isso abriu oportunidades. Exportadores brasileiros de soja, por exemplo, se beneficiaram da menor compra dos EUA pela China, que aumentou sua demanda pelo grão brasileiro. O mesmo ocorreu com carne bovina, celulose e minério de ferro. Mas vale refletir: são setores/produtos de baixo processamento industrial e com forte impacto ambiental. Aparentemente ganhamos, mas reforçando uma pauta primária-exportadora e dependente.

Por outro lado, a instabilidade global e a retração no comércio afetam as economias periféricas com mais intensidade. Países como o Brasil, que ainda não concluíram seu processo de industrialização, tornam-se mais vulneráveis a choques externos. Isso reforça a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento que valorize a indústria, a ciência e a integração regional.

Em resumo, enquanto a disputa entre potências revela as contradições do capitalismo global, o Brasil precisa olhar para dentro, com soberania e planejamento de longo prazo. Só assim transformaremos conjunturas em oportunidades reais de desenvolvimento inclusivo.

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Planejar o Futuro com Justiça Social: a Bahia Rumo a 2050

No dia 27 de março, participei de dois eventos centrais para o debate sobre o planejamento de longo prazo do Estado da Bahia. Pela manhã, na terceira edição do Pensar a Bahia, promovido pela SEI, discutimos temas estratégicos como segurança pública, logística e economia de baixo carbono — pilares fundamentais para um desenvolvimento que priorize o bem-estar coletivo e a justiça social. Ressaltei a importância de alinhar os estudos da SEI ao Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) Bahia 2050, destacando o valor de um debate plural, que envolva Estado, setor produtivo, academia e sociedade civil.

À tarde, no lançamento do plano de trabalho do PDI Bahia 2050, coordenado pela SEPLAN, aprofundamos reflexões sobre os caminhos para uma Bahia mais sustentável, inclusiva e inovadora. Planejar o futuro é um ato político, que exige superar a lógica imediatista e incorporar uma visão de Estado comprometido com as próximas gerações. O fortalecimento do planejamento governamental na Bahia — em sintonia com a Estratégia Brasil 2050 — sinaliza um movimento progressista em direção a um país mais justo. A construção de um projeto de futuro requer coragem para priorizar o que realmente importa: a dignidade, a equidade e o desenvolvimento com justiça social.

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Consignado CLT – Uma Perspectiva Crítica

O chamado “consignado CLT”, sancionado pelo governo em março de 2024, amplia o acesso ao crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A medida permite que empresas privadas ofereçam empréstimos descontados diretamente na folha de pagamento de seus funcionários, com taxas de juros menores do que as do crédito pessoal tradicional.

Embora o objetivo aparente seja facilitar o acesso ao crédito e reduzir a inadimplência, essa política deve ser analisada com cautela. O crédito consignado tem sido historicamente utilizado como um mecanismo de endividamento de longo prazo para populações vulneráveis, especialmente aposentados e servidores públicos. A extensão desse modelo aos trabalhadores CLT pode aprofundar a precarização, já que transfere ainda mais risco financeiro para o indivíduo, enquanto isenta as empresas de qualquer compromisso adicional com seus empregados.

Além disso, ao comprometer diretamente a renda dos trabalhadores, o consignado CLT pode reduzir o poder de negociação salarial e a mobilidade do emprego. Com parcelas sendo descontadas diretamente do salário, o trabalhador endividado se torna mais dependente da sua atual ocupação, o que pode inibir reivindicações por melhores condições de trabalho ou aumentos salariais.

É fundamental destacar que, para os bancos, o risco dessa operação é baixíssimo. Como o desconto ocorre antes do pagamento do salário ao trabalhador, a instituição financeira tem garantia praticamente integral do recebimento, o que justificaria juros próximos de zero nos empréstimos. Isso torna o consignado CLT um crédito altamente lucrativo para os bancos, enquanto o ônus do endividamento recai exclusivamente sobre o trabalhador.

Para que o crédito seja uma ferramenta de emancipação e não de torne um instrumentos de exploração “na mão” das empresas, o Estado deveria focar em políticas de redistribuição de renda e fortalecimento do mercado de trabalho, em vez de incentivar endividamento para suprir deficiências estruturais.

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Enquanto alguns investem, a maioria luta para pagar contas

A crescente participação da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) nos investimentos reflete o avanço da tecnologia e o fácil acesso às plataformas financeiras, mas também um contexto econômico que os obriga a buscar segurança no futuro. Ao contrário da visão liberal, esse fenômeno deve ser analisado sob a ótica das desigualdades estruturais e da precarização do trabalho.

O estudo do Fórum Econômico Mundial, divulgado semana passada, indica que os jovens investem mais cedo que seus pais, o que pode parecer um avanço. No entanto, isso ocorre em meio à crise do mercado de trabalho, onde os salários são baixos, a informalidade cresce e a previdência pública se torna incerta. Assim, a necessidade de investir não é uma escolha, mas uma imposição.

As políticas neoliberais desmontaram a rede de proteção social, transferindo para o indivíduo a responsabilidade por sua segurança financeira. Os jovens buscam no mercado financeiro uma resposta para problemas que deveriam ser resolvidos por meio de um Estado forte, com políticas públicas robustas e previdência sustentável.

O acesso a aplicativos de investimento e conteúdos educacionais amplia esse movimento, mas a principal barreira ainda é a falta de recursos. Investir é um privilégio restrito a quem tem renda disponível. Enquanto alguns jovens investem, a maioria luta para pagar contas básicas e enfrentar um mercado excludente.

A preocupação da Geração Z com critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) mostra maior consciência social nos investimentos, mas é insuficiente para resolver as contradições do sistema econômico atual. A verdadeira transformação virá com políticas públicas que priorizem o bem-estar social, e não com a ilusão de que decisões individuais no mercado financeiro construirão um futuro mais justo.

É essencial que os jovens não apenas aprendam a investir, mas também compreendam que a solução para a desigualdade e insegurança econômica está na luta por um modelo econômico que garanta empregos dignos, serviços públicos de qualidade e um sistema previdenciário que permita uma aposentadoria tranquila para todos.

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