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O boletim do Banco Central divulgado hoje é mais um reflexo das escolhas de política monetária que penalizam a maioria da população em nome de uma ortodoxia econômica ultrapassada. A projeção do IPCA para 2025 em 5,65% — acima do teto da meta — deveria servir para questionarmos a eficácia de manter a taxa Selic em patamares absurdamente elevados. Com juros básicos previstos em 15% no próximo ano, o que se observa não é uma contenção eficaz da inflação, mas sim a asfixia do investimento produtivo e o aumento do custo da dívida pública.
É inaceitável que, após um crescimento robusto de 3,8% em 2024 — ainda que com desaceleração no último trimestre —, estejamos diante de previsões de crescimento medíocres para os próximos anos. Como se espera que o PIB avance com força quando o crédito encarece, a indústria encolhe e o consumo popular é comprimido? Manter juros altos beneficia rentistas e estrangeiros, mas sacrifica trabalhadores e pequenas empresas.
O dólar projetado a R$ 5,90 para 2025 é um claro sinal da falta de confiança que esse modelo de política monetária gera: ao invés de estabilidade, vemos volatilidade e fuga de capitais produtivos. Em vez de apenas perseguir metas frias de inflação, o Banco Central deveria considerar medidas de controle direto sobre preços de alimentos e energia — itens que mais afetam os mais pobres — e adotar políticas que estimulem a produção interna.
Enquanto a prioridade for agradar o “mercado” e não a sociedade, seguiremos presos em um ciclo de crescimento pífio, concentração de renda e deterioração das condições de vida da população. É hora de repensar esse modelo.
Todos temos histórias de voos para contar. Poderia contar algumas mas deixarei para outra oportunidade.
Tenho um voo marcado para março e, diante dos recentes incidentes e acidentes, preciso me acalmar. Para aliviar a tensão, vale lembrar da música de Belchior, que transforma o medo de avião em conexão e até romance.
Na noite de 11 de fevereiro de 2025, um avião da Gol colidiu com um veículo de manutenção no Galeão (RJ). No dia anterior, um da Latam precisou arremeter devido à proximidade de um barco próximo à pista. Felizmente, ninguém se feriu, mas a segurança aérea voltou ao debate. Entre 2017 e 2023, os principais fatores de acidentes fatais foram:
Perda de controle em voo – quando os pilotos não conseguem controlar a aeronave; voo controlado contra o terreno – aviões em perfeitas condições colidindo com obstáculos; saída de pista – falhas durante pousos ou decolagens, agravadas por clima ruim ou problemas técnicos.
Apesar do medo que esses eventos podem causar, a aviação continua sendo um dos meios de transporte mais seguros (quero crer!). Cada incidente leva a investigações e melhorias para evitar novas ocorrências. Afinal, voar é sempre um aprendizado.
Recentemente, fui ao supermercado e me assustei com o preço do café, que disparou de forma impressionante. Essa alta impacta diretamente o orçamento das famílias, tornando cada vez mais urgente a adoção de medidas que protejam os consumidores e produtores de um sistema predatório. Diante do preço elevadíssimo, pensei em recorrer a Salete pra fazer um chafé, como diria Gilberto Gil na letra de Sandra: “Salete fez chafé, que é um chá de café que eu gosto”!
O aumento expressivo dos preços do café reflete não apenas fatores climáticos e logísticos, mas também as contradições do modelo econômico global, onde a especulação financeira e a concentração de poder nas mãos de grandes corporações ditam o rumo da produção e dos preços. Em janeiro de 2025 a saca de 60 Kg de café do tipo arábica foi vendida por R$ 2.333,00, maior valor registrado desde o início da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo. Comparado com janeiro de 2024, representa uma alta de 124,6%.
Esse movimento é justificado, em parte, por eventos climáticos extremos no Brasil, maior produtor mundial, que sofreu com geadas e secas prolongadas, reduzindo a oferta. No entanto, o problema vai além das intempéries naturais. O setor cafeeiro é fortemente dominado por multinacionais que especulam com estoques e futuros, elevando artificialmente os preços e penalizando produtores e consumidores.
Além disso, os custos de transporte cresceram devido à crise no Mar Vermelho e ao aumento dos combustíveis fósseis, agravando a inflação dos alimentos. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), o consumo global deve crescer 1,5% em 2024, intensificando a pressão sobre os preços. Diante desse cenário, é fundamental repensar a estrutura da cadeia produtiva do café, garantindo maior proteção aos pequenos produtores e combatendo a especulação financeira.
Uma possível solução seria a implementação de um estoque regulador, que permitiria ao Estado intervir no mercado para estabilizar os preços e evitar flutuações abruptas. A Lei nº 8.174, de 30 de janeiro de 1991, estabelece regras para a fixação e liberação de estoques públicos. Os estoques reguladores são compostos por alimentos comprados pelo governo quando os preços estão baixos, para serem liberados quando os preços aumentam.
Estive hoje no Seminário Estadual da Resistência Socialista, tendência do PT, a convite do dirigemte Aluã Carmo, discutindo Planejamento de Longo Prazo e Desenvolvimento, com foco em impulsionar o crescimento econômico e social da Bahia. A troca de ideias com especialistas, dirigentes partidários e representantes dos movimentos sociais reforçou a importância de um planejamento governamental estruturado e comprometido com as reais necessidades da população.
O debate girou em torno da necessidade de integrar os movimentos sociais ao processo de formulação e execução de políticas públicas. Somente com a participação ativa da sociedade civil poderemos garantir que o planejamento de longo prazo esteja alinhado às demandas populares e seja capaz de promover inclusão, justiça social e desenvolvimento sustentável. Esse processo exige a construção de mecanismos de participação efetivos, onde a voz dos trabalhadores, das comunidades tradicionais, das mulheres, da juventude e de todos os segmentos da sociedade seja ouvida e respeitada.
Modelos de desenvolvimento que ignoram a realidade social ou priorizam apenas interesses econômicos restritos tendem a gerar desigualdades e enfraquecer as conquistas sociais. Por isso, reforçamos a necessidade de um Estado comprometido com a inclusão e com políticas públicas eficazes.
Além disso, foi discutido o papel de um militante socialista e os desafios enfrentados pelos movimentos sociais na luta por espaço dentro das discussões que levam a decisões estratégicas sobre desenvolvimento. Na Bahia, esses movimentos têm sido fundamentais para a conquista de direitos e para a consolidação de políticas públicas transformadoras. O planejamento de longo prazo não pode ser elaborado apenas por tecnocratas ou por interesses de curto prazo. Ele deve ser construído de forma coletiva, garantindo que as futuras gerações encontrem um estado mais desenvolvido, justo e acessível a todos.
Saio deste seminário com a certeza de que a construção de um planejamento sólido para a Bahia só será possível com o aprofundamento da união de forças entre governo e sociedade civil. É necessário seguir avançando, ampliando o diálogo e garantindo que as políticas públicas tenham raízes firmes na realidade do povo baiano. Esse é o caminho para um futuro mais próspero, inclusivo e democrático.
O Coletivo Outras Vozes se destaca como um poderoso instrumento para dar visibilidade aos artistas que o compõem, uma nova geração de jovens talentos da musica baiana. Funcionando como uma plataforma colaborativa que une talentos e promove a diversidade musical da Bahia, representa um comportamento político inovador na música baiana, rompendo com estruturas tradicionais e democratizando o acesso à cena musical. Multitalentosos, cantam, compõem, interpretam, são cantoras, cantores, compositoras, compositores, atores, atrizes, instrumentistas que integram esse projeto que os coloca de vez na cena, embora se destaquem também individualmente. Dois deles tiveram participação expressiva na peça Torto Arado.
Salvador parece se abrir para a música autoral. O Coletivo não apenas destaca a riqueza das vozes emergentes, mas também a capacidade interpretativa que cria um espaço de diálogo e troca entre artistas de diferentes gêneros e backgrounds. Isso resulta em uma sonoridade plural, onde influências se entrelaçam, refletindo a complexidade da cultura baiana.
A proposta do Outras Vozes parece ir para além da música, um verdadeiro manifesto sobre identidade, resistência e transformação social, mesmo que não se intitulem, uma banda, um grupo que canta… Ao colocar, coletivamente em tela, artistas como Ana Barroso, Dórea, Ângela Velloso, Fatel, Guigga, e a doce Lu Britto, dentre outros, o coletivo desafia narrativas estabelecidas e abre caminho para novas histórias, mostrando que a música pode ser uma ferramenta de empoderamento e mudança.
Assim, seguem como um unguento para o corpo provocando reflexões sobre questões sociais, culturais e políticas. Estão construindo uma nova forma de expressão que, longe de ser apenas entretenimento, se torna um ato de afirmação e resistência, demarcando a importância da música como um espaço de luta, e transformação na sociedade.
Sem dúvida esse Coletivo lidera uma onda criativa que mistura tradição e inovação, e redefine o panorama musical do Estado, trazendo novas narrativas e sonoridades que refletem a diversidade cultural baiana.
Ana Barroso, por exemplo, é uma representante marcante do Coletivo. Sua música dialoga com a rica herança cultural do Nordeste, presente nas composições de Elomar, passando pelo samba de roda e dialoga fortemente as raízes afro-brasileiras, mas com uma abordagem contemporânea. Suas letras, carregadas de poesia e crítica social, capturam a essência da vida cotidiana, abordando temas como identidade, resistência superação e celebração.
Dórea, por sua vez, vem chamando a atenção por suas experimentações sonoras. Em seu maravilhoso disco Grande Coisa, percebe-se influências diversas, onde cria um som singular, que ressoa potente no coração das novas gerações. Suas canções são um convite à reflexão, misturando melodias cativantes com letras que falam sobre amor, empoderamento e o drama urbano.
Ângela Velloso, uma das vozes mais marcantes que ouvi nos últimos tempos, traz uma bagagem rica em influências e uma habilidade particulat para cantar. Seu trabalho mescla ritmos tradicionais com influências da música mundial, criando um som que é ao mesmo tempo familiar, inovador, revolucionário. As canções de Ângela têm o poder de tocar a alma e, com muito brilho, impacta profundamente o público.
O coletivo Outras Vozes tem sido fundamental para a promoção desses artistas, isoladamente, criando um espaço colaborativo onde a criatividade flui livremente. Com eventos, gravações e um forte engajamento nas redes sociais, o coletivo não só promove a música, mas também fortalece a comunidade artística local, atraindo diversos artistas de fora do Estado para ampliar parceiras. Essa união de talentos e estilos diversos levará a música baiana a novos patamares, consolidando sua relevância no cenário nacional e, meu desejo, internacional.
Assim, a música da Bahia é uma celebração de identidade e inovação, refletindo a riqueza cultural do Estado e a vitalidade de suas vozes. Com a força do coletivo Outras Vozes, o futuro da música baiana parece promissor, cheio de novas possibilidades e sonoridades vibrantes.
Também integrante do Coletivo Fatel é um artista que tem conquistado espaço com sua abordagem ímpar. Misturando sons, ele traz composições impactantes que falam sobre a realidade urbana e questões sociais.
Todos juntos, essa nova geração impulsiona a cena musical baiana. Com sua versatilidade e múltiplos talentos, eles enriquecem o diálogo entre os gêneros musicais, promovendo uma sonoridade que cativa e engaja o público. A colaboração entre esses artistas cria uma tapeçaria vibrante de ritmos e mensagens, mostrando que a música da Bahia está em um momento de renovação e esplendor. Essa união de vozes e estilos verticaliza o palco, coloca todos num mesmo patamar, sem disputas, vozes e instrumentos em plena sintonia! O Coletivo eleva a cultura baiana a novos patamares, celebrando sua diversidade e autenticidade. Como diria Belchior: “o novo sempre vem”.
A deportação em massa implementada durante o governo de Donald Trump demonstra um profundo desrespeito pela dignidade humana, mas também subestima os impactos econômicos negativos dessa abordagem.
As políticas de imigração mais rígidas adotadas por Donald Trump têm afetado diretamente a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos. O presidente republicano ampliou medidas restritivas, como a declaração de emergência na fronteira sul, a permissão para prisões em locais sensíveis como escolas e hospitais, e a restrição do direito à cidadania para filhos de imigrantes em situação irregular. Essas ações refletem a tentativa de intensificar o controle migratório, consolidando a imigração como um dos pilares de suas campanhas e iniciativas governamentais.
Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer que as populações imigrantes desempenham papéis cruciais em diversos setores econômicos, incluindo agricultura, construção e serviços, muitas vezes em condições de trabalho difíceis e por salários baixos. Ao deportar em massa esses indivíduos, há um impacto direto sobre a mão de obra, pressionando tanto as empresas que dependem desses trabalhadores quanto os consumidores que eventualmente enfrentam aumentos de preços devido à diminuição da oferta.
Além disso, a deportação forçada em larga escala também impõe altos custos ao orçamento público. Os processos legais, a manutenção de centros de detenção e os custos administrativos são financeiramente pesados e resultam no uso ineficaz de recursos que poderiam ser investidos em políticas sociais e econômicas mais inclusivas.
De um ponto de vista ético, criminalizar aqueles que buscam melhores condições de vida e fugir de situações de extrema violência, pobreza ou perseguição contradiz os princípios básicos de solidariedade e justiça social. Em vez de abordar os desequilíbrios estruturais que levam à migração – como desigualdades econômicas globais, mudanças climáticas e intervenções externas nas economias em desenvolvimento – essas políticas culpam e penalizam os indivíduos mais vulneráveis.
Por fim, políticas como estas perpetuam uma narrativa de medo e exclusão que é prejudicial à coesão social. No longo prazo, sociedades que investem em integração e apoio a imigrantes colhem benefícios econômicos e culturais consideráveis, reforçando uma visão mais humana e progressista da economia global.
O Brasil em 2025 apresenta desafios e oportunidades cruciais, marcados por tensões político-econômicas recentes e pela retomada de uma agenda social e ambientalmente responsável. Estima-se crescimento moderado do PIB (3%), impulsionado pelo consumo das famílias e investimentos públicos, enquanto a inflação deve permanecer entre 3,5% e 4,0%, ante o papel ativo de estatais na regulação de preços estratégicos, como energia e combustíveis.
Em um cenário global mais dinâmico, a demanda por alimentos e energias renováveis posiciona o agronegócio e as indústrias verdes como setores em evidência, acompanhados pela construção civil em razão de investimentos em infraestrutura habitacional e obras públicas.
O governo reforça políticas redistributivas por meio de programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de expandir investimentos em infraestrutura sustentável, saneamento e transporte.
Apesar da geração de postos formais em setores como construção civil e serviços, o mercado informal ainda é relevante. Há necessidade de aprofundar políticas de formalização, enquanto a educação e a qualificação profissional emergem como pilares para reduzir desigualdades.
Na esfera fiscal, a reforma tributária progressiva avança, mas enfrenta resistências políticas que podem impactar os investimentos necessários ao desenvolvimento.
Na esfera fiscal, a implementação de uma reforma tributária progressiva tem permitido avanços na arrecadação, mas a pressão por austeridade de setores conservadores pode limitar os investimentos sociais e estruturais necessários.
O Brasil consolida seu papel estratégico em pautas climáticas globais, priorizando o combate ao desmatamento e o incentivo à economia de baixo carbono. A ampliação de créditos para pequenos e médios empreendedores por bancos públicos, a revitalização do Mercosul e a cooperação com o Sul Global são estratégias essenciais para aumentar a autonomia econômica.
Em resumo, 2025 configura-se como uma oportunidade de crescimento inclusivo e sustentável. A implementação de políticas expansionistas será determinante para transformar as potencialidades econômicas e sociais do país em uma realidade mais justa e próspera.
Segundo o estudo divulgado pelo banco BTG Pactual, o Brasil terá déficits nominais de 7,8% do PIB em 2024 e 8,6% em 2025, com a dívida pública alcançando 86% do PIB até 2026. Essa análise reflete uma abordagem tecnocrática que negligencia o desenvolvimento social e prioriza interesses rentistas e do mercado financeiro.
Tratar o déficit nominal como sinônimo de “saúde” econômica é uma visão limitada. Países como Estados Unidos e Japão operam com déficits elevados sem crises, pois investem em setores estratégicos que geram crescimento. No Brasil, a narrativa de austeridade fiscal transforma déficits em problemas, favorecendo cortes e retração do gasto público para atender ao mercado.
A dívida pública deve ser avaliada de formas contextualizada. O verdadeiro desafio do Brasil é a elevada taxa de juros, que transfere recursos para o setor rentista. Dívidas direcionadas a infraestrutura, saúde e educação são instrumentos para inclusão e crescimento econômico sustentável.
Sendo um dos países mais desiguais do mundo, o Brasil precisa usar a política fiscal como ferramenta para combater a pobreza, reduzir desigualdades e fomentar empregos. Ajustar o déficit às custas de cortes em áreas essenciais só perpetua a exclusão social e limita o crescimento de longo prazo.
Relatórios de bancos como o BTG frequentemente defendem juros altos e controle fiscal rígido, mas ignoram que responsabilidade fiscal deve significar atender às necessidades da maioria. O Brasil precisa questionar essas narrativas tecnocráticas e seguir investindo em um modelo de desenvolvimento que priorize justiça social e inclusão econômica.
Assisti à pré-estreia do documentário Luiz Melodia, No Coração do Brasil na noite de segunda-feira, 13, com a presença de Alessandra Dorgane (diretora) e de Patrícia Palumbo. Saí da sala com um misto de emoção e reflexão sobre a profundidade do legado desse grande artista.
Salvador sediou a pré estreia da obra, em homenagem ao período que Luiz Melodia viveu na Bahia. O documentário traz imagens raras de super 8 com Luiz Melodia montado em um burro, puxando um cortejo até o Mercado da Sete Portas, para divulgar o lançamento do disco Mico de Circo, concebido aqui.
A produção, que estreia amanhã em mais de 30 salas de cinema em todo o Brasil, é uma verdadeira celebração da obra e da vida de Luiz Melodia, capturando sua singularidade, sua poesia e seu impacto na música popular brasileira.
A pré-estreia contou com a presença marcante de figuras ilustres como Lazzo Matumbi, Paquito, Carlos Bastos, Seu Santo, e, de seu parceira de muitas composições, o baiano Ricardo Augusto. Esse fato, ressaltou a dimensão afetiva e coletiva do filme e contribuiu para evidenciar como Melodia transcendeu gerações e territórios, solidificando-se como uma referência fundamental da nossa cultura.
O documentário, com um apurado trabalho de curadoria visual e musical, revela facetas menos conhecidas de Luiz Melodia, indo além do músico e adentrando no homem por trás da poesia. É inevitável sentir a presença arrebatadora de faixas icônicas como Juventude Transviada e Estácio, Eu e Você, mas o grande mérito da produção é explorar os contextos social, cultural e político que moldaram o artista e o que sua obra simboliza para o Brasil.
Por outro lado, apesar da riqueza do conteúdo, o filme ocasionalmente peca em seu ritmo. Em algumas passagens, a narrativa parece breve com detalhes periféricos que, embora interessantes, diminuem a fluidez geral da obra. Ainda assim, a montagem consegue recuperar fôlego ao trazer depoimentos emocionantes e imagens raras, muitas delas carregadas de uma nostalgia tocante, na voz do próprio artista.
Além disso, senti falta de uma maior contextualização sobre a contemporaneidade de Luiz Melodia. Como sua música dialoga com os artistas da nova geração? Embora o filme homenageie a amplitude de sua influência, esse diálogo poderia ser ampliado, sobretudo para situá-lo em uma posição mais viva na cena atual.
Luiz Melodia, No Coração do Brasil é mais do que uma homenagem a um artista genial; é um grito contra o apagamento cultural e uma lembrança de que, no coração do Brasil, pulsa a música como uma forma de resistência, identidade e transformação. Para quem quer revisitar ou conhecer esse ícone, o documentário é um compromisso inadiável. A trilha sonora é um presente aos fãs e um convite sedutor àqueles que ainda não conhecem profundamente sua obra.
A exigência de que os Microempreendedores Individuais (MEIs) regularizem suas dívidas com o Simples Nacional até o final de janeiro/2025 evidencia um paradoxo na política econômica e tributária brasileira, particularmente quando vista sob a ótica de crescimento econômico.
Por um lado, a formalização dos pequenos negócios é essencial para expandir a base contributiva e garantir a justiça fiscal. Por outro, essa mesma exigência pode se tornar um mecanismo punitivo e desproporcional, especialmente em um contexto de recuperação pós-pandemia. É importante lembrar que os MEIs, frequentemente celebrados como símbolos do empreendedorismo popular, na prática, são majoritariamente trabalhadores precarizados ou pequenas iniciativas de subsistência.
Pressionar esses trabalhadores a regularizarem dívidas em um prazo rígido, sob pena de exclusão do Simples Nacional, ignora a fragilidade socioeconômica dessa categoria. Muitos MEIs enfrentam dificuldades de acesso ao crédito, altas taxas de informalidade no mercado e um ambiente econômico que penaliza os pequenos enquanto protege os grandes.
Além disso, exigir regularização neste período contribui para a concentração de desigualdades, dado que os MEIs mais vulneráveis — aqueles em setores com margens estreitas de ganhos ou sazonalidades severas — têm menor capacidade de organizar suas finanças rapidamente. Essa medida, em vez de funcionar como estímulo para a retomada econômica, pode precipitar o aumento da informalidade e da exclusão financeira.
Uma alternativa seria implementar um programa mais abrangente de renegociação e parcelamento de dívidas, com condições realmente ajustadas à realidade dos MEIs. Taxas mais baixas, carência para iniciar os pagamentos e orientação financeira seriam passos eficazes para incentivar a regularização sem recorrer a medidas punitivas. Ao invés de um prazo impositivo, o governo poderia assumir um papel de parceiro, apoiando esses pequenos empreendedores no fortalecimento de seus negócios e assegurando a continuidade de sua contribuição à economia.
Por fim, vale lembrar que justiça social e equilíbrio tributário são inseparáveis. Insistir em políticas que apertam os mais frágeis economicamente só perpetua a desigualdade e mina qualquer tentativa de criar um mercado verdadeiramente inclusivo. Os MEIs não devem ser vistos como contribuintes em atraso, mas como aliados do desenvolvimento social e econômico que precisam de condições adequadas para crescer e prosperar.