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No dia 27 de março, participei de dois eventos centrais para o debate sobre o planejamento de longo prazo do Estado da Bahia. Pela manhã, na terceira edição do Pensar a Bahia, promovido pela SEI, discutimos temas estratégicos como segurança pública, logística e economia de baixo carbono — pilares fundamentais para um desenvolvimento que priorize o bem-estar coletivo e a justiça social. Ressaltei a importância de alinhar os estudos da SEI ao Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) Bahia 2050, destacando o valor de um debate plural, que envolva Estado, setor produtivo, academia e sociedade civil.
À tarde, no lançamento do plano de trabalho do PDI Bahia 2050, coordenado pela SEPLAN, aprofundamos reflexões sobre os caminhos para uma Bahia mais sustentável, inclusiva e inovadora. Planejar o futuro é um ato político, que exige superar a lógica imediatista e incorporar uma visão de Estado comprometido com as próximas gerações. O fortalecimento do planejamento governamental na Bahia — em sintonia com a Estratégia Brasil 2050 — sinaliza um movimento progressista em direção a um país mais justo. A construção de um projeto de futuro requer coragem para priorizar o que realmente importa: a dignidade, a equidade e o desenvolvimento com justiça social.
O chamado “consignado CLT”, sancionado pelo governo em março de 2024, amplia o acesso ao crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A medida permite que empresas privadas ofereçam empréstimos descontados diretamente na folha de pagamento de seus funcionários, com taxas de juros menores do que as do crédito pessoal tradicional.
Embora o objetivo aparente seja facilitar o acesso ao crédito e reduzir a inadimplência, essa política deve ser analisada com cautela. O crédito consignado tem sido historicamente utilizado como um mecanismo de endividamento de longo prazo para populações vulneráveis, especialmente aposentados e servidores públicos. A extensão desse modelo aos trabalhadores CLT pode aprofundar a precarização, já que transfere ainda mais risco financeiro para o indivíduo, enquanto isenta as empresas de qualquer compromisso adicional com seus empregados.
Além disso, ao comprometer diretamente a renda dos trabalhadores, o consignado CLT pode reduzir o poder de negociação salarial e a mobilidade do emprego. Com parcelas sendo descontadas diretamente do salário, o trabalhador endividado se torna mais dependente da sua atual ocupação, o que pode inibir reivindicações por melhores condições de trabalho ou aumentos salariais.
É fundamental destacar que, para os bancos, o risco dessa operação é baixíssimo. Como o desconto ocorre antes do pagamento do salário ao trabalhador, a instituição financeira tem garantia praticamente integral do recebimento, o que justificaria juros próximos de zero nos empréstimos. Isso torna o consignado CLT um crédito altamente lucrativo para os bancos, enquanto o ônus do endividamento recai exclusivamente sobre o trabalhador.
Para que o crédito seja uma ferramenta de emancipação e não de torne um instrumentos de exploração “na mão” das empresas, o Estado deveria focar em políticas de redistribuição de renda e fortalecimento do mercado de trabalho, em vez de incentivar endividamento para suprir deficiências estruturais.
A crescente participação da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) nos investimentos reflete o avanço da tecnologia e o fácil acesso às plataformas financeiras, mas também um contexto econômico que os obriga a buscar segurança no futuro. Ao contrário da visão liberal, esse fenômeno deve ser analisado sob a ótica das desigualdades estruturais e da precarização do trabalho.
O estudo do Fórum Econômico Mundial, divulgado semana passada, indica que os jovens investem mais cedo que seus pais, o que pode parecer um avanço. No entanto, isso ocorre em meio à crise do mercado de trabalho, onde os salários são baixos, a informalidade cresce e a previdência pública se torna incerta. Assim, a necessidade de investir não é uma escolha, mas uma imposição.
As políticas neoliberais desmontaram a rede de proteção social, transferindo para o indivíduo a responsabilidade por sua segurança financeira. Os jovens buscam no mercado financeiro uma resposta para problemas que deveriam ser resolvidos por meio de um Estado forte, com políticas públicas robustas e previdência sustentável.
O acesso a aplicativos de investimento e conteúdos educacionais amplia esse movimento, mas a principal barreira ainda é a falta de recursos. Investir é um privilégio restrito a quem tem renda disponível. Enquanto alguns jovens investem, a maioria luta para pagar contas básicas e enfrentar um mercado excludente.
A preocupação da Geração Z com critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) mostra maior consciência social nos investimentos, mas é insuficiente para resolver as contradições do sistema econômico atual. A verdadeira transformação virá com políticas públicas que priorizem o bem-estar social, e não com a ilusão de que decisões individuais no mercado financeiro construirão um futuro mais justo.
É essencial que os jovens não apenas aprendam a investir, mas também compreendam que a solução para a desigualdade e insegurança econômica está na luta por um modelo econômico que garanta empregos dignos, serviços públicos de qualidade e um sistema previdenciário que permita uma aposentadoria tranquila para todos.
O boletim do Banco Central divulgado hoje é mais um reflexo das escolhas de política monetária que penalizam a maioria da população em nome de uma ortodoxia econômica ultrapassada. A projeção do IPCA para 2025 em 5,65% — acima do teto da meta — deveria servir para questionarmos a eficácia de manter a taxa Selic em patamares absurdamente elevados. Com juros básicos previstos em 15% no próximo ano, o que se observa não é uma contenção eficaz da inflação, mas sim a asfixia do investimento produtivo e o aumento do custo da dívida pública.
É inaceitável que, após um crescimento robusto de 3,8% em 2024 — ainda que com desaceleração no último trimestre —, estejamos diante de previsões de crescimento medíocres para os próximos anos. Como se espera que o PIB avance com força quando o crédito encarece, a indústria encolhe e o consumo popular é comprimido? Manter juros altos beneficia rentistas e estrangeiros, mas sacrifica trabalhadores e pequenas empresas.
O dólar projetado a R$ 5,90 para 2025 é um claro sinal da falta de confiança que esse modelo de política monetária gera: ao invés de estabilidade, vemos volatilidade e fuga de capitais produtivos. Em vez de apenas perseguir metas frias de inflação, o Banco Central deveria considerar medidas de controle direto sobre preços de alimentos e energia — itens que mais afetam os mais pobres — e adotar políticas que estimulem a produção interna.
Enquanto a prioridade for agradar o “mercado” e não a sociedade, seguiremos presos em um ciclo de crescimento pífio, concentração de renda e deterioração das condições de vida da população. É hora de repensar esse modelo.
Todos temos histórias de voos para contar. Poderia contar algumas mas deixarei para outra oportunidade.
Tenho um voo marcado para março e, diante dos recentes incidentes e acidentes, preciso me acalmar. Para aliviar a tensão, vale lembrar da música de Belchior, que transforma o medo de avião em conexão e até romance.
Na noite de 11 de fevereiro de 2025, um avião da Gol colidiu com um veículo de manutenção no Galeão (RJ). No dia anterior, um da Latam precisou arremeter devido à proximidade de um barco próximo à pista. Felizmente, ninguém se feriu, mas a segurança aérea voltou ao debate. Entre 2017 e 2023, os principais fatores de acidentes fatais foram:
Perda de controle em voo – quando os pilotos não conseguem controlar a aeronave; voo controlado contra o terreno – aviões em perfeitas condições colidindo com obstáculos; saída de pista – falhas durante pousos ou decolagens, agravadas por clima ruim ou problemas técnicos.
Apesar do medo que esses eventos podem causar, a aviação continua sendo um dos meios de transporte mais seguros (quero crer!). Cada incidente leva a investigações e melhorias para evitar novas ocorrências. Afinal, voar é sempre um aprendizado.
Recentemente, fui ao supermercado e me assustei com o preço do café, que disparou de forma impressionante. Essa alta impacta diretamente o orçamento das famílias, tornando cada vez mais urgente a adoção de medidas que protejam os consumidores e produtores de um sistema predatório. Diante do preço elevadíssimo, pensei em recorrer a Salete pra fazer um chafé, como diria Gilberto Gil na letra de Sandra: “Salete fez chafé, que é um chá de café que eu gosto”!
O aumento expressivo dos preços do café reflete não apenas fatores climáticos e logísticos, mas também as contradições do modelo econômico global, onde a especulação financeira e a concentração de poder nas mãos de grandes corporações ditam o rumo da produção e dos preços. Em janeiro de 2025 a saca de 60 Kg de café do tipo arábica foi vendida por R$ 2.333,00, maior valor registrado desde o início da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo. Comparado com janeiro de 2024, representa uma alta de 124,6%.
Esse movimento é justificado, em parte, por eventos climáticos extremos no Brasil, maior produtor mundial, que sofreu com geadas e secas prolongadas, reduzindo a oferta. No entanto, o problema vai além das intempéries naturais. O setor cafeeiro é fortemente dominado por multinacionais que especulam com estoques e futuros, elevando artificialmente os preços e penalizando produtores e consumidores.
Além disso, os custos de transporte cresceram devido à crise no Mar Vermelho e ao aumento dos combustíveis fósseis, agravando a inflação dos alimentos. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), o consumo global deve crescer 1,5% em 2024, intensificando a pressão sobre os preços. Diante desse cenário, é fundamental repensar a estrutura da cadeia produtiva do café, garantindo maior proteção aos pequenos produtores e combatendo a especulação financeira.
Uma possível solução seria a implementação de um estoque regulador, que permitiria ao Estado intervir no mercado para estabilizar os preços e evitar flutuações abruptas. A Lei nº 8.174, de 30 de janeiro de 1991, estabelece regras para a fixação e liberação de estoques públicos. Os estoques reguladores são compostos por alimentos comprados pelo governo quando os preços estão baixos, para serem liberados quando os preços aumentam.
Estive hoje no Seminário Estadual da Resistência Socialista, tendência do PT, a convite do dirigemte Aluã Carmo, discutindo Planejamento de Longo Prazo e Desenvolvimento, com foco em impulsionar o crescimento econômico e social da Bahia. A troca de ideias com especialistas, dirigentes partidários e representantes dos movimentos sociais reforçou a importância de um planejamento governamental estruturado e comprometido com as reais necessidades da população.
O debate girou em torno da necessidade de integrar os movimentos sociais ao processo de formulação e execução de políticas públicas. Somente com a participação ativa da sociedade civil poderemos garantir que o planejamento de longo prazo esteja alinhado às demandas populares e seja capaz de promover inclusão, justiça social e desenvolvimento sustentável. Esse processo exige a construção de mecanismos de participação efetivos, onde a voz dos trabalhadores, das comunidades tradicionais, das mulheres, da juventude e de todos os segmentos da sociedade seja ouvida e respeitada.
Modelos de desenvolvimento que ignoram a realidade social ou priorizam apenas interesses econômicos restritos tendem a gerar desigualdades e enfraquecer as conquistas sociais. Por isso, reforçamos a necessidade de um Estado comprometido com a inclusão e com políticas públicas eficazes.
Além disso, foi discutido o papel de um militante socialista e os desafios enfrentados pelos movimentos sociais na luta por espaço dentro das discussões que levam a decisões estratégicas sobre desenvolvimento. Na Bahia, esses movimentos têm sido fundamentais para a conquista de direitos e para a consolidação de políticas públicas transformadoras. O planejamento de longo prazo não pode ser elaborado apenas por tecnocratas ou por interesses de curto prazo. Ele deve ser construído de forma coletiva, garantindo que as futuras gerações encontrem um estado mais desenvolvido, justo e acessível a todos.
Saio deste seminário com a certeza de que a construção de um planejamento sólido para a Bahia só será possível com o aprofundamento da união de forças entre governo e sociedade civil. É necessário seguir avançando, ampliando o diálogo e garantindo que as políticas públicas tenham raízes firmes na realidade do povo baiano. Esse é o caminho para um futuro mais próspero, inclusivo e democrático.
O Coletivo Outras Vozes se destaca como um poderoso instrumento para dar visibilidade aos artistas que o compõem, uma nova geração de jovens talentos da musica baiana. Funcionando como uma plataforma colaborativa que une talentos e promove a diversidade musical da Bahia, representa um comportamento político inovador na música baiana, rompendo com estruturas tradicionais e democratizando o acesso à cena musical. Multitalentosos, cantam, compõem, interpretam, são cantoras, cantores, compositoras, compositores, atores, atrizes, instrumentistas que integram esse projeto que os coloca de vez na cena, embora se destaquem também individualmente. Dois deles tiveram participação expressiva na peça Torto Arado.
Salvador parece se abrir para a música autoral. O Coletivo não apenas destaca a riqueza das vozes emergentes, mas também a capacidade interpretativa que cria um espaço de diálogo e troca entre artistas de diferentes gêneros e backgrounds. Isso resulta em uma sonoridade plural, onde influências se entrelaçam, refletindo a complexidade da cultura baiana.
A proposta do Outras Vozes parece ir para além da música, um verdadeiro manifesto sobre identidade, resistência e transformação social, mesmo que não se intitulem, uma banda, um grupo que canta… Ao colocar, coletivamente em tela, artistas como Ana Barroso, Dórea, Ângela Velloso, Fatel, Guigga, e a doce Lu Britto, dentre outros, o coletivo desafia narrativas estabelecidas e abre caminho para novas histórias, mostrando que a música pode ser uma ferramenta de empoderamento e mudança.
Assim, seguem como um unguento para o corpo provocando reflexões sobre questões sociais, culturais e políticas. Estão construindo uma nova forma de expressão que, longe de ser apenas entretenimento, se torna um ato de afirmação e resistência, demarcando a importância da música como um espaço de luta, e transformação na sociedade.
Sem dúvida esse Coletivo lidera uma onda criativa que mistura tradição e inovação, e redefine o panorama musical do Estado, trazendo novas narrativas e sonoridades que refletem a diversidade cultural baiana.
Ana Barroso, por exemplo, é uma representante marcante do Coletivo. Sua música dialoga com a rica herança cultural do Nordeste, presente nas composições de Elomar, passando pelo samba de roda e dialoga fortemente as raízes afro-brasileiras, mas com uma abordagem contemporânea. Suas letras, carregadas de poesia e crítica social, capturam a essência da vida cotidiana, abordando temas como identidade, resistência superação e celebração.
Dórea, por sua vez, vem chamando a atenção por suas experimentações sonoras. Em seu maravilhoso disco Grande Coisa, percebe-se influências diversas, onde cria um som singular, que ressoa potente no coração das novas gerações. Suas canções são um convite à reflexão, misturando melodias cativantes com letras que falam sobre amor, empoderamento e o drama urbano.
Ângela Velloso, uma das vozes mais marcantes que ouvi nos últimos tempos, traz uma bagagem rica em influências e uma habilidade particulat para cantar. Seu trabalho mescla ritmos tradicionais com influências da música mundial, criando um som que é ao mesmo tempo familiar, inovador, revolucionário. As canções de Ângela têm o poder de tocar a alma e, com muito brilho, impacta profundamente o público.
O coletivo Outras Vozes tem sido fundamental para a promoção desses artistas, isoladamente, criando um espaço colaborativo onde a criatividade flui livremente. Com eventos, gravações e um forte engajamento nas redes sociais, o coletivo não só promove a música, mas também fortalece a comunidade artística local, atraindo diversos artistas de fora do Estado para ampliar parceiras. Essa união de talentos e estilos diversos levará a música baiana a novos patamares, consolidando sua relevância no cenário nacional e, meu desejo, internacional.
Assim, a música da Bahia é uma celebração de identidade e inovação, refletindo a riqueza cultural do Estado e a vitalidade de suas vozes. Com a força do coletivo Outras Vozes, o futuro da música baiana parece promissor, cheio de novas possibilidades e sonoridades vibrantes.
Também integrante do Coletivo Fatel é um artista que tem conquistado espaço com sua abordagem ímpar. Misturando sons, ele traz composições impactantes que falam sobre a realidade urbana e questões sociais.
Todos juntos, essa nova geração impulsiona a cena musical baiana. Com sua versatilidade e múltiplos talentos, eles enriquecem o diálogo entre os gêneros musicais, promovendo uma sonoridade que cativa e engaja o público. A colaboração entre esses artistas cria uma tapeçaria vibrante de ritmos e mensagens, mostrando que a música da Bahia está em um momento de renovação e esplendor. Essa união de vozes e estilos verticaliza o palco, coloca todos num mesmo patamar, sem disputas, vozes e instrumentos em plena sintonia! O Coletivo eleva a cultura baiana a novos patamares, celebrando sua diversidade e autenticidade. Como diria Belchior: “o novo sempre vem”.
A deportação em massa implementada durante o governo de Donald Trump demonstra um profundo desrespeito pela dignidade humana, mas também subestima os impactos econômicos negativos dessa abordagem.
As políticas de imigração mais rígidas adotadas por Donald Trump têm afetado diretamente a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos. O presidente republicano ampliou medidas restritivas, como a declaração de emergência na fronteira sul, a permissão para prisões em locais sensíveis como escolas e hospitais, e a restrição do direito à cidadania para filhos de imigrantes em situação irregular. Essas ações refletem a tentativa de intensificar o controle migratório, consolidando a imigração como um dos pilares de suas campanhas e iniciativas governamentais.
Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer que as populações imigrantes desempenham papéis cruciais em diversos setores econômicos, incluindo agricultura, construção e serviços, muitas vezes em condições de trabalho difíceis e por salários baixos. Ao deportar em massa esses indivíduos, há um impacto direto sobre a mão de obra, pressionando tanto as empresas que dependem desses trabalhadores quanto os consumidores que eventualmente enfrentam aumentos de preços devido à diminuição da oferta.
Além disso, a deportação forçada em larga escala também impõe altos custos ao orçamento público. Os processos legais, a manutenção de centros de detenção e os custos administrativos são financeiramente pesados e resultam no uso ineficaz de recursos que poderiam ser investidos em políticas sociais e econômicas mais inclusivas.
De um ponto de vista ético, criminalizar aqueles que buscam melhores condições de vida e fugir de situações de extrema violência, pobreza ou perseguição contradiz os princípios básicos de solidariedade e justiça social. Em vez de abordar os desequilíbrios estruturais que levam à migração – como desigualdades econômicas globais, mudanças climáticas e intervenções externas nas economias em desenvolvimento – essas políticas culpam e penalizam os indivíduos mais vulneráveis.
Por fim, políticas como estas perpetuam uma narrativa de medo e exclusão que é prejudicial à coesão social. No longo prazo, sociedades que investem em integração e apoio a imigrantes colhem benefícios econômicos e culturais consideráveis, reforçando uma visão mais humana e progressista da economia global.
O Brasil em 2025 apresenta desafios e oportunidades cruciais, marcados por tensões político-econômicas recentes e pela retomada de uma agenda social e ambientalmente responsável. Estima-se crescimento moderado do PIB (3%), impulsionado pelo consumo das famílias e investimentos públicos, enquanto a inflação deve permanecer entre 3,5% e 4,0%, ante o papel ativo de estatais na regulação de preços estratégicos, como energia e combustíveis.
Em um cenário global mais dinâmico, a demanda por alimentos e energias renováveis posiciona o agronegócio e as indústrias verdes como setores em evidência, acompanhados pela construção civil em razão de investimentos em infraestrutura habitacional e obras públicas.
O governo reforça políticas redistributivas por meio de programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de expandir investimentos em infraestrutura sustentável, saneamento e transporte.
Apesar da geração de postos formais em setores como construção civil e serviços, o mercado informal ainda é relevante. Há necessidade de aprofundar políticas de formalização, enquanto a educação e a qualificação profissional emergem como pilares para reduzir desigualdades.
Na esfera fiscal, a reforma tributária progressiva avança, mas enfrenta resistências políticas que podem impactar os investimentos necessários ao desenvolvimento.
Na esfera fiscal, a implementação de uma reforma tributária progressiva tem permitido avanços na arrecadação, mas a pressão por austeridade de setores conservadores pode limitar os investimentos sociais e estruturais necessários.
O Brasil consolida seu papel estratégico em pautas climáticas globais, priorizando o combate ao desmatamento e o incentivo à economia de baixo carbono. A ampliação de créditos para pequenos e médios empreendedores por bancos públicos, a revitalização do Mercosul e a cooperação com o Sul Global são estratégias essenciais para aumentar a autonomia econômica.
Em resumo, 2025 configura-se como uma oportunidade de crescimento inclusivo e sustentável. A implementação de políticas expansionistas será determinante para transformar as potencialidades econômicas e sociais do país em uma realidade mais justa e próspera.