[Crítica] Duas Vidas (Zwei Leben)

zwei-leben(Por Ranieri Muricy Barreto)

O filme inicia com uma narração sobre a queda do muro de Berlin e o fim da Alemanha Oriental (RDA) no final dos anos 80 e início dos anos 90. A narração é meio confusa, é o registro de um momento muito importante para a história do ocidente e do oriente.

Baseado na história real que trata do caso das “crianças de Lebensborn”, mostra uma família feliz que vive na Noruega mas, a paz começa a ser quebrada no momento em que Katrine Evensen (Juliane Kohler) é abordada pelo advogado Sven Solbach (Ken Duken) que está a frente da reabertura do caso das crianças filhas de norueguesas com alemães que eram mandadas pelos nazistas para o orfanato em Sachsen para uma limpeza racial, dado que inicialmente as crianças eram tidas como arianas. A pretensão de Sven é buscar a reparação e compensação para as famílias que tiveram suas crianças sequestradas pelos alemães.

Katrine é chamada a depor como testemunha no caso contra o governo da Noruega, haja vista ser o único caso em que mãe e filha se reencontraram. A partir daí Katrine passa a apagar provas de segredos guardados a sete chaves. Utiiliza-se de um disfarce e segue para o arquivo de Leipzig em busca de registros sobre ela e uma enfermeira, Hiltrud Schlömer (Ursula Werner) que supostamente conhece a verdade guardada por ela.

O misterioso passado ronda todo o longa e a vida em família vai se deteriorando com o anseio da protagonista em apagá-lo. Sua mãe, Ase Eversen (Liv Ullman), seu marido Bjard (Sven Nordin), a filha do casal, Anne Myrdal (Julia Bache-Wiig), que é mãe de um bebê percebem o comportamento estranho de Katrine e aos poucos Ase sente necessidade de conversar sobre o passado em contraposição ao desejo da filha. Ao relatar que a adoção fora consentida, ainda que sobre pressão pscológica, Katrine se sente compelida a contar parte da história para a família mas continua tentando apagar o passado.

A partir desse ponto, mais ou menos metade do filme, duas histórias passam a ser contadas: o caso das crianças e a outra vida de Katrine, que é ultrainteressante. Não revelarei porque você não pode perder esse filme tão logo entre em cartaz! A partir desse ponto, o ritmo se acelera com as pistas sobre o passado de Katrine, e o seu pessimismo defensivo não a encoraja a lidar com a situação que parece desmoronar.

É um filme complexo com um final superinteressante e acho mesmo que não poderia ser diferente, apesar da certeza que muitos apostariam em algo diferente. Os atores são bons demais, basta citar Liv Ullman, atuação impecável, ex-mulher de Ingmar Bergman, que você já conhece de vários filmes dirigidos por ele.

Vá correndo quando entrar em cartaz!

Título: Duas Vidas (Zwei Leben) – Alemanha, Noruega, 2012 / 97 minutos
Gênero: Drama
Direção: Georg Maas, Judith Kaufmann
Roteiro: Georg Maas, Christoph Tölle, Stale Stein Berg
Elenco:  Juliane Köhler, Liv Ullmann, Sven Nordin, Ken Duken, Julia Bache-Wiig, Rainer Bock, Thomas Lawincky, Klara Manzel, Vicky Krieps, Dennis Storhøi, Ursula Werner

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1 Response to [Crítica] Duas Vidas (Zwei Leben)

  1. Avatar de Lucia Macedo Lucia Macedo disse:

    Vi o Filme, muito real. Comentário inteligente.

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