(Por Ranieri Muricy Barreto, 27/01/2016, 13:45h)
UM bom debate poderia ser travado a respeito da independência do Banco Central do Brasil (BCB), contudo a articulação existente entre os jornalões impede que isso aconteça. Desde o dia em que o Copom anunciou a manutenção dos juros básicos em 14,25% (20/01/16), que os grandes grupos midiáticos falam a mesma língua: “o BCB foi capturado politicamente pelo governo”.
Jornais como o Estadão e o Globo, cotidianamente repetem com pequenas diferenças a ladainha de que o BCB capitulou ante uma reunião com Dilma e, por isso, não aumentou a taxa de juros como esperava o mercado.
Hoje, na Folha de São Paulo e no Valor Econômico, dois articulistas, Alexandre Schwartsman e Cristiano Romero, respectivamente, trocaram mensagens telepáticas, pois em jornais diferentes, seguem o que se poderia chamar de “mesma linha editorial”. Não pense que desconheço que há participações acionárias de um no outro, quem não sabe do poder de monopólio que a mídia brasileira detém?
Cumpre-nos o papel de alertar que por trás das aparências expostas por esses veículos de comunicação e seus colunistas “apartidários” está a histórica dominação que privilegiados exercem sobre as estruturas de poder do país, vide as decisões dos tribunais nas operações em curso. É o que Jessé Souza (SOUZA, Jessé. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: LeYa, 2015, p. 10) chama de “violência simbólica”, numa clara inspiração no sociólogo francês Pieere Bourdieu.
Como tudo que aparece na grande mídia, esse debate também esconde o seu real sentido: o papel do Estado no Brasil!
Para essa elite o BCB deve ser privatizado, deve ser escravo do mercado financeiro que se alimenta e retroalimenta das fartas taxas de juros. Daí pergunto: não nos interessa que o governo planeje a política econômica, não nos interessa o crescimento da economia real para gerar emprego e renda?
A presidenta está correta. Ela é quem nomeia a diretoria do BCB, inclusive seu Presidente, portanto qual o problema dela se reunir com ele e dizer que o sistema financeiro não serve como instrumento de planejamento da economia e que este não pode ser baseado exclusivamente nos juros e no câmbio, como defende os opositores do governo, tanto políticos como alguns economistas.
Um país que busca construir uma mentalidade voltada para o planejamento e um processo de desenvolvimento sustentável, alargando as oportunidades para seu povo sem exclusão, tornado os privilégios de alguns em direitos para todos, não pode prescindir de um Banco Central antenado com sua política econômica.
Acho que a presidenta deveria ser até mais clara e dizer que o Banco Central não pode abraçar uma política independente do resto do governo!






