No mês de novembro de 2025, viajei pela Bahia como coordenador do Plano de Desenvolvimento Integrado da Bahia – PDI 2050. Percorri os diferentes territórios do estado, onde realizamos seminários presenciais que mobilizaram representantes dos 27 Territórios de Identidade, além de universidades, setor produtivo, movimentos sociais e gestores públicos. Esses encontros técnico-políticos revelaram uma Bahia que pensa estrategicamente seu futuro a partir do chão dos territórios.
O relatório final demonstra que, apesar da diversidade regional, há consensos claros: a centralidade da geração de emprego e renda, a urgência da segurança hídrica, a necessidade de superar gargalos logísticos e a defesa de uma matriz produtiva mais diversificada e sustentável. A chamada “tripla concentração” (espacial, produtiva e de renda), aparece como síntese das desigualdades que estruturam o estado e que precisam ser enfrentadas com políticas de longo prazo.
No semiárido, a água e a convivência climática são prioridades absolutas. No litoral e na Região Metropolitana, destacam-se infraestrutura, bioeconomia e redução das desigualdades urbanas. Em todos os territórios, emergem a valorização da agricultura familiar, da agroecologia, da economia solidária e da cultura como vetores de desenvolvimento.
O PDI Bahia 2050, ao incorporar essa escuta qualificada, reafirma o planejamento como instrumento democrático. Planejar não é antecipar tecnicamente o futuro, mas construí-lo coletivamente. E a viagem de novembro deixou claro: a Bahia quer crescer, mas quer crescer com inclusão, sustentabilidade e identidade territorial.
