Receber o reconhecimento nacional no I Congresso Conseplan: Reconstrução do Planejamento Nacional, com o artigo “Centro de Governo como ferramenta estratégica para gestão subnacional”, de autoria de Ariadne Muricy Barreto, Isabella Paim e Ranieri Muricy, é mais que uma honra profissional: é um sinal de que o planejamento voltou à cena como uma das principais ferramentas de reconstrução institucional no Brasil. Entre 206 trabalhos apresentados, sermos destacados entre os 9 mais relevantes mostra que há sede por governança estratégica e articulação federativa.
Este prêmio dialoga diretamente com outro artigo que defendi: Planejamento de longo prazo para um desenvolvimento sustentável: a convergência entre o curto e o longo prazos. Ambos os textos compartilham a crítica à armadilha do imediatismo e à cultura da descontinuidade que marcam nossa trajetória histórica. Reforçam o papel do Estado como agente estratégico, capaz de pensar o futuro com justiça social, sustentabilidade e inovação — como Celso Furtado, Hirschman e Amartya Sen nos ensinaram.

Dedico este reconhecimento aos céticos que nunca acreditaram no planejamento — e também aos planejadores céticos que esqueceram como se pensa o futuro. Planejar é resistir ao improviso, à fragmentação e ao curto-prazismo que corroem a capacidade do Estado de servir à maioria. Planejar é, sobretudo, um ato de esperança política.
Este reconhecimento não é um ponto de chegada, mas um impulso para seguirmos contribuindo com a reconstrução do planejamento público em nosso país. Que a Estratégia Brasil 2050, e o Planejamento de Longo Prazo reforcem o compromisso com o desenvolvimento territorial integrado e ganhem força e voz. O futuro precisa de nós — e ele começa agora.
