O crescimento da produtividade do trabalho no Brasil tem sido insuficiente diante das necessidades de desenvolvimento inclusivo. Entre 1995 e 2024, o avanço médio foi de apenas 0,8% ao ano, reflexo de um modelo econômico marcado por incertezas, juros estruturalmente altos e um ambiente de negócios que favorece setores já consolidados, em detrimento da inovação e da produção de valor, segundo dados do Observatório da Produtividade (FGV-IBRE).
Apesar disso, houve progresso significativo no capital humano. A escolaridade da força de trabalho melhorou: em 1992, dois terços não tinham o ensino fundamental completo; em 2024, dois terços alcançaram ao menos o ensino médio. Essa transformação sustentou parte do modesto crescimento da produtividade e contribuiu para reduzir a informalidade e ampliar a renda. O Índice de Capital Humano cresceu 2,2% ao ano no período, demonstrando o papel da educação no desenvolvimento.
Entretanto, os ganhos se concentram na agropecuária, setor altamente tecnificado, mas com baixa absorção de mão de obra. Serviços e indústria, que empregam a maioria da população, seguem estagnados ou em queda.

Na Bahia, o cenário é semelhante. Segundo o PDI Bahia 2035/2050, no cenário inercial, a produtividade — medida como produto por trabalhador — cresce 1% ao ano, mantendo-se em 63% da média nacional. No cenário de referência, com políticas públicas consistentes, pode crescer 2,6% ao ano, alcançando 81% da média nacional em 2050. Isso representaria um salto de R$ 66 mil para R$ 138 mil por trabalhador, a preços de 2022.
Superar esse quadro exige mais que reformas pró-mercado: requer reorganização orçamentária, investimento em infraestrutura, valorização do trabalho e um Estado capaz de liderar um projeto nacional de produtividade com inclusão, aumentos salariais, integração produtiva e soberania econômica.
