A escalada tarifária entre EUA e China, iniciada em 2018, envolveu sucessivos aumentos de tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos comercializados entre as duas maiores economias do mundo. Esse movimento, fruto de disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas, gerou incertezas no comércio global e afetou países muito além dos dois protagonistas — inclusive o Brasil.
Mas o que são tarifas? Tarifas são impostos sobre importações. Quando os EUA elevaram tarifas sobre produtos chineses, e a China retaliou, os custos desses bens aumentaram, levando empresas a buscarem fornecedores alternativos. Aí entra o Brasil.

Por um lado, isso abriu oportunidades. Exportadores brasileiros de soja, por exemplo, se beneficiaram da menor compra dos EUA pela China, que aumentou sua demanda pelo grão brasileiro. O mesmo ocorreu com carne bovina, celulose e minério de ferro. Mas vale refletir: são setores/produtos de baixo processamento industrial e com forte impacto ambiental. Aparentemente ganhamos, mas reforçando uma pauta primária-exportadora e dependente.
Por outro lado, a instabilidade global e a retração no comércio afetam as economias periféricas com mais intensidade. Países como o Brasil, que ainda não concluíram seu processo de industrialização, tornam-se mais vulneráveis a choques externos. Isso reforça a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento que valorize a indústria, a ciência e a integração regional.
Em resumo, enquanto a disputa entre potências revela as contradições do capitalismo global, o Brasil precisa olhar para dentro, com soberania e planejamento de longo prazo. Só assim transformaremos conjunturas em oportunidades reais de desenvolvimento inclusivo.
