A crescente participação da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) nos investimentos reflete o avanço da tecnologia e o fácil acesso às plataformas financeiras, mas também um contexto econômico que os obriga a buscar segurança no futuro. Ao contrário da visão liberal, esse fenômeno deve ser analisado sob a ótica das desigualdades estruturais e da precarização do trabalho.
O estudo do Fórum Econômico Mundial, divulgado semana passada, indica que os jovens investem mais cedo que seus pais, o que pode parecer um avanço. No entanto, isso ocorre em meio à crise do mercado de trabalho, onde os salários são baixos, a informalidade cresce e a previdência pública se torna incerta. Assim, a necessidade de investir não é uma escolha, mas uma imposição.
As políticas neoliberais desmontaram a rede de proteção social, transferindo para o indivíduo a responsabilidade por sua segurança financeira. Os jovens buscam no mercado financeiro uma resposta para problemas que deveriam ser resolvidos por meio de um Estado forte, com políticas públicas robustas e previdência sustentável.

O acesso a aplicativos de investimento e conteúdos educacionais amplia esse movimento, mas a principal barreira ainda é a falta de recursos. Investir é um privilégio restrito a quem tem renda disponível. Enquanto alguns jovens investem, a maioria luta para pagar contas básicas e enfrentar um mercado excludente.
A preocupação da Geração Z com critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) mostra maior consciência social nos investimentos, mas é insuficiente para resolver as contradições do sistema econômico atual. A verdadeira transformação virá com políticas públicas que priorizem o bem-estar social, e não com a ilusão de que decisões individuais no mercado financeiro construirão um futuro mais justo.
É essencial que os jovens não apenas aprendam a investir, mas também compreendam que a solução para a desigualdade e insegurança econômica está na luta por um modelo econômico que garanta empregos dignos, serviços públicos de qualidade e um sistema previdenciário que permita uma aposentadoria tranquila para todos.
