O boletim do Banco Central divulgado hoje é mais um reflexo das escolhas de política monetária que penalizam a maioria da população em nome de uma ortodoxia econômica ultrapassada. A projeção do IPCA para 2025 em 5,65% — acima do teto da meta — deveria servir para questionarmos a eficácia de manter a taxa Selic em patamares absurdamente elevados. Com juros básicos previstos em 15% no próximo ano, o que se observa não é uma contenção eficaz da inflação, mas sim a asfixia do investimento produtivo e o aumento do custo da dívida pública.
É inaceitável que, após um crescimento robusto de 3,8% em 2024 — ainda que com desaceleração no último trimestre —, estejamos diante de previsões de crescimento medíocres para os próximos anos. Como se espera que o PIB avance com força quando o crédito encarece, a indústria encolhe e o consumo popular é comprimido? Manter juros altos beneficia rentistas e estrangeiros, mas sacrifica trabalhadores e pequenas empresas.
O dólar projetado a R$ 5,90 para 2025 é um claro sinal da falta de confiança que esse modelo de política monetária gera: ao invés de estabilidade, vemos volatilidade e fuga de capitais produtivos. Em vez de apenas perseguir metas frias de inflação, o Banco Central deveria considerar medidas de controle direto sobre preços de alimentos e energia — itens que mais afetam os mais pobres — e adotar políticas que estimulem a produção interna.
Enquanto a prioridade for agradar o “mercado” e não a sociedade, seguiremos presos em um ciclo de crescimento pífio, concentração de renda e deterioração das condições de vida da população. É hora de repensar esse modelo.
