“Salete fez chafé, que é um chá de café que eu gosto”!

Recentemente, fui ao supermercado e me assustei com o preço do café, que disparou de forma impressionante. Essa alta impacta diretamente o orçamento das famílias, tornando cada vez mais urgente a adoção de medidas que protejam os consumidores e produtores de um sistema predatório. Diante do preço elevadíssimo, pensei em recorrer a Salete pra fazer um chafé, como diria Gilberto Gil na letra de Sandra: “Salete fez chafé, que é um chá de café que eu gosto”!

O aumento expressivo dos preços do café reflete não apenas fatores climáticos e logísticos, mas também as contradições do modelo econômico global, onde a especulação financeira e a concentração de poder nas mãos de grandes corporações ditam o rumo da produção e dos preços. Em janeiro de 2025 a saca de 60 Kg de café do tipo arábica foi vendida por R$ 2.333,00, maior valor registrado desde o início da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo. Comparado com janeiro de 2024, representa uma alta de 124,6%.

Esse movimento é justificado, em parte, por eventos climáticos extremos no Brasil, maior produtor mundial, que sofreu com geadas e secas prolongadas, reduzindo a oferta. No entanto, o problema vai além das intempéries naturais. O setor cafeeiro é fortemente dominado por multinacionais que especulam com estoques e futuros, elevando artificialmente os preços e penalizando produtores e consumidores.

Além disso, os custos de transporte cresceram devido à crise no Mar Vermelho e ao aumento dos combustíveis fósseis, agravando a inflação dos alimentos. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), o consumo global deve crescer 1,5% em 2024, intensificando a pressão sobre os preços. Diante desse cenário, é fundamental repensar a estrutura da cadeia produtiva do café, garantindo maior proteção aos pequenos produtores e combatendo a especulação financeira.

Uma possível solução seria a implementação de um estoque regulador, que permitiria ao Estado intervir no mercado para estabilizar os preços e evitar flutuações abruptas. A Lei nº 8.174, de 30 de janeiro de 1991, estabelece regras para a fixação e liberação de estoques públicos. Os estoques reguladores são compostos por alimentos comprados pelo governo quando os preços estão baixos, para serem liberados quando os preços aumentam.

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