O Coletivo Outras Vozes se destaca como um poderoso instrumento para dar visibilidade aos artistas que o compõem, uma nova geração de jovens talentos da musica baiana. Funcionando como uma plataforma colaborativa que une talentos e promove a diversidade musical da Bahia, representa um comportamento político inovador na música baiana, rompendo com estruturas tradicionais e democratizando o acesso à cena musical. Multitalentosos, cantam, compõem, interpretam, são cantoras, cantores, compositoras, compositores, atores, atrizes, instrumentistas que integram esse projeto que os coloca de vez na cena, embora se destaquem também individualmente. Dois deles tiveram participação expressiva na peça Torto Arado.
Salvador parece se abrir para a música autoral. O Coletivo não apenas destaca a riqueza das vozes emergentes, mas também a capacidade interpretativa que cria um espaço de diálogo e troca entre artistas de diferentes gêneros e backgrounds. Isso resulta em uma sonoridade plural, onde influências se entrelaçam, refletindo a complexidade da cultura baiana.

A proposta do Outras Vozes parece ir para além da música, um verdadeiro manifesto sobre identidade, resistência e transformação social, mesmo que não se intitulem, uma banda, um grupo que canta… Ao colocar, coletivamente em tela, artistas como Ana Barroso, Dórea, Ângela Velloso, Fatel, Guigga, e a doce Lu Britto, dentre outros, o coletivo desafia narrativas estabelecidas e abre caminho para novas histórias, mostrando que a música pode ser uma ferramenta de empoderamento e mudança.
Assim, seguem como um unguento para o corpo provocando reflexões sobre questões sociais, culturais e políticas. Estão construindo uma nova forma de expressão que, longe de ser apenas entretenimento, se torna um ato de afirmação e resistência, demarcando a importância da música como um espaço de luta, e transformação na sociedade.
Sem dúvida esse Coletivo lidera uma onda criativa que mistura tradição e inovação, e redefine o panorama musical do Estado, trazendo novas narrativas e sonoridades que refletem a diversidade cultural baiana.
Ana Barroso, por exemplo, é uma representante marcante do Coletivo. Sua música dialoga com a rica herança cultural do Nordeste, presente nas composições de Elomar, passando pelo samba de roda e dialoga fortemente as raízes afro-brasileiras, mas com uma abordagem contemporânea. Suas letras, carregadas de poesia e crítica social, capturam a essência da vida cotidiana, abordando temas como identidade, resistência superação e celebração.
Dórea, por sua vez, vem chamando a atenção por suas experimentações sonoras. Em seu maravilhoso disco Grande Coisa, percebe-se influências diversas, onde cria um som singular, que ressoa potente no coração das novas gerações. Suas canções são um convite à reflexão, misturando melodias cativantes com letras que falam sobre amor, empoderamento e o drama urbano.
Ângela Velloso, uma das vozes mais marcantes que ouvi nos últimos tempos, traz uma bagagem rica em influências e uma habilidade particulat para cantar. Seu trabalho mescla ritmos tradicionais com influências da música mundial, criando um som que é ao mesmo tempo familiar, inovador, revolucionário. As canções de Ângela têm o poder de tocar a alma e, com muito brilho, impacta profundamente o público.
O coletivo Outras Vozes tem sido fundamental para a promoção desses artistas, isoladamente, criando um espaço colaborativo onde a criatividade flui livremente. Com eventos, gravações e um forte engajamento nas redes sociais, o coletivo não só promove a música, mas também fortalece a comunidade artística local, atraindo diversos artistas de fora do Estado para ampliar parceiras. Essa união de talentos e estilos diversos levará a música baiana a novos patamares, consolidando sua relevância no cenário nacional e, meu desejo, internacional.
Assim, a música da Bahia é uma celebração de identidade e inovação, refletindo a riqueza cultural do Estado e a vitalidade de suas vozes. Com a força do coletivo Outras Vozes, o futuro da música baiana parece promissor, cheio de novas possibilidades e sonoridades vibrantes.
Também integrante do Coletivo Fatel é um artista que tem conquistado espaço com sua abordagem ímpar. Misturando sons, ele traz composições impactantes que falam sobre a realidade urbana e questões sociais.
Todos juntos, essa nova geração impulsiona a cena musical baiana. Com sua versatilidade e múltiplos talentos, eles enriquecem o diálogo entre os gêneros musicais, promovendo uma sonoridade que cativa e engaja o público. A colaboração entre esses artistas cria uma tapeçaria vibrante de ritmos e mensagens, mostrando que a música da Bahia está em um momento de renovação e esplendor. Essa união de vozes e estilos verticaliza o palco, coloca todos num mesmo patamar, sem disputas, vozes e instrumentos em plena sintonia! O Coletivo eleva a cultura baiana a novos patamares, celebrando sua diversidade e autenticidade. Como diria Belchior: “o novo sempre vem”.
