Segundo o estudo divulgado pelo banco BTG Pactual, o Brasil terá déficits nominais de 7,8% do PIB em 2024 e 8,6% em 2025, com a dívida pública alcançando 86% do PIB até 2026. Essa análise reflete uma abordagem tecnocrática que negligencia o desenvolvimento social e prioriza interesses rentistas e do mercado financeiro.
Tratar o déficit nominal como sinônimo de “saúde” econômica é uma visão limitada. Países como Estados Unidos e Japão operam com déficits elevados sem crises, pois investem em setores estratégicos que geram crescimento. No Brasil, a narrativa de austeridade fiscal transforma déficits em problemas, favorecendo cortes e retração do gasto público para atender ao mercado.
A dívida pública deve ser avaliada de formas contextualizada. O verdadeiro desafio do Brasil é a elevada taxa de juros, que transfere recursos para o setor rentista. Dívidas direcionadas a infraestrutura, saúde e educação são instrumentos para inclusão e crescimento econômico sustentável.

Sendo um dos países mais desiguais do mundo, o Brasil precisa usar a política fiscal como ferramenta para combater a pobreza, reduzir desigualdades e fomentar empregos. Ajustar o déficit às custas de cortes em áreas essenciais só perpetua a exclusão social e limita o crescimento de longo prazo.
Relatórios de bancos como o BTG frequentemente defendem juros altos e controle fiscal rígido, mas ignoram que responsabilidade fiscal deve significar atender às necessidades da maioria. O Brasil precisa questionar essas narrativas tecnocráticas e seguir investindo em um modelo de desenvolvimento que priorize justiça social e inclusão econômica.
