E o terceiro turno se prolonga

PUBLICADO EM 29/01/2016
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Ranieri Muricy Barreto

Economia, superintendente de Planejamento Estratégico do Estado da Bahia e prof. da Ucsal.

Os manuais de economia mostram que o Banco Central (BC) é responsável pela estabilidade do poder de compra da moeda e pela solidez do sistema financeiro. Qualquer banco para funcionar está sujeito à autorização e à vigilância do BCB, ele é o banco dos bancos. Tem o monopólio da emissão de dinheiro novo e é quem fixa a taxa de juros básica (SELIC) que é a referência para as demais taxas de mercado, cheque especial, cartão de crédito etc. Ainda atua no mercado de câmbio, sendo o responsável pela cotação do dólar.

Nos últimos treze anos as famílias brasileiras tiveram mais conforto em forma de trabalho, renda e lazer, ao passo que uma classe acostumada a ter um Estado cujas ações eram voltadas para si na forma de privilégios, experimentou com amargor a subida dos “de baixo”: nas universidades, nos aeroportos, nos hotéis, em Miami, Orlando etc. Qual a relação disso com a forma de gestão do BCB?

Caro leitor, você pode até achar estranho, mas esse tema afeta muito a sua vida cotidiana.

Nas eleições de 2014, Aécio e Marina, vestiram o manto do “Deus mercado” e fizeram coro pela independência do BCB, o que deixaria a Instituição ao sabor dos rentistas que sangram o país apostando sempre em altas taxas de juros. Vocês sabem que o Brasil possui um dos maiores spread bancário do mundo, ou seja, os bancos pagam pouco pelo dinheiro que capta e cobram infinitamente mais nas operações que realizam com seus clientes.

Até aqui o governo tem dado as diretrizes da política econômica e não o tal mercado como querem aqueles que sempre capturaram o Estado a seu favor. O presidente do BCB e seus diretores são de livre nomeação do presidente da República que não abre mão de planejar a economia, contudo garante autonomia operacional do Banco.

É claro que isso incomoda e desencadeia, mais um round do terceiro turno das eleições de 2014. A mídia se pergunta: o presidente do BCB se reuniu ou não com Dilma? Não se engane, por trás desse debate, o que está em jogo é quem deve definir a política econômica do país: o governo ou o mercado?

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