O Grande Hotel Budapeste é baseado em escritos de Stefan Zweig, um judeu exilado no Brasil em função do avanço das tropas nazistas na Europa e que se suicidou, juntamente com sua esposa, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 1942. A história começa com uma moça, nos dias atuais, num cemitério, rendendo homenagem a um escritor anônimo diante de sua estátua. Em suas mãos, um livro que dá nome ao filme.
Tal qual um livro, o fio condutor da fábula é em capítulos, enquadrados em diversos formatos que mudam ao longo da fita. Apesar de começar nos dias atuais, passa pelos anos 80, 60 e 30. Com todas as pessoas que conversei percebi um encantamento pela história e por esta opção técnica, além do visual. Confesso que achei essas coisas exageradas, embora o filme apresente um belo visual e uma bela narrativa com maravilhosos lampejos de humor, aliás, marcas do diretor Wes Anderson. Primeiro, porque as histórias se fundem no tempo e isso requer muita atenção do espectador; segundo, porque o enquadramento de objetos em diversos formatos da câmera ao longo das décadas, ora mais aberta, ora mais fechada, em minha opinião, busca uma perfeição demasiada. Esse recurso se exacerba no visual que, de fato, é muito belo, mas, o excesso de cores embota um pouco a beleza do hotel. De qualquer forma, essa opção denota segurança da direção, ou estilo quem sabe.
A narrativa começa nos anos oitenta, onde um escritor (Tom Wilkinson) explica a decadência e a demolição do hotel com foco no auge da sua exuberância em 1932. A partir daí, Zero Mustafa (adulto, interpretado por F. Murray Abraham, segundo narrador) encontra, nos anos 60, um jovem escritor (Jude Law), primeiro narrador, que está hospedado no hotel e relata como se tornou o único herdeiro do estabelecimento.
Assim passamos a conhecer as aventuras de Zero e Monsieur Gustave H. (Ralph Fiennes), um gerente gentil e educado, sedutor de velhas ricas, solitárias e indefesas, que a cada temporada se hospedavam no Grande Hotel Budapeste. Assumia o gosto pelas amadas com naturalidade: “Na juventude, é filé, mas com os anos, passa para outros cortes. Tudo bem, gosto dos outros cortes.” rs!
Zero Moustafa (jovem, interpretado por Tony Revolori) é o “faz tudo” de Mr. Gustave, um mensageiro atrapalhado e engraçado. Ambos se envolvem no assassinato de uma das velhinhas do gerente, Madame C. V. D. (Tilda Swinton), que logo é acusado do crime ainda no velório. A família dela, notadamente o filho Dmitri (Adrien Brody) e seu guarda costas Jopling (Willem Dafoe), empreendem verdadeira caçada pirotécnica com assassinatos cruéis, fugas mirabolantes (ótimas cenas), tensões, tudo isso acompanhado de muita graça. Em diversos momentos o real e a fantasia se confundem mas, se separam no final.
Um bom filme, excelente elenco com destaque para Ralph Fiennes e Tony Revolori. Vá logo assistir!. Apesar de ser um filme de arte, duvido que o grande público consiga tirar os olhos da tela.
Título: O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel) – EUA, Alemanha – 2013 / 99 minutos Gênero: Comédia/Drama Direção: Wes Andersen Roteiro: Hugo Guinness, Stefan Zweig, Wes Andersen Elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, F. Murray Abraham, Jude Law, Saoirse Ronan, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Mathieu Amalric, Edward Norton, Tilda Swinton, Jason Schwartzman, Tom Wilkinson, Léa Seydoux, Bill Murray, Harvey Keitel.Comente e Curta!

