(Por Filipe Nobre – Jornalista)
Quando comecei a ler o mais recente livro do consagrado escritor Dan Brown, “Inferno”, suspeitei que seria uma história batida e já sem a novidade e peso de best sellers como O Código da Vince e Anjos e Demônios. Apesar de seguir a mesma linha de ação e suspense, com o mesmo personagem – o professor de Simbologia de Harvard, Robert Langdon -, me surpreendi com a abordagem do novo tema.
Como nos livros anteriores, Robert Langdon tem a missão de salvar a humanidade de um plano elaborado pelo vilão da história. E é esse vilão que faz com que Langdon tente desvendar diversos enigmas, decifrando códigos e símbolos, para descobrir a sua pretensão mortal. O cenário se passa quase todo em Florença, Itália, e o autor descreve em detalhes os cenários e as inúmeras obras de arte espalhadas pela cidade.
A história começa com Langdon acordando em um hospital em Florença, com uma profunda amnésia e sem saber onde está. Logo conhece a drª Sienna Brooks, uma mulher com uma inteligência fora do comum que salva a sua vida e torna-se a sua aliada em toda a aventura. A partir daí, ele começa uma batalha para se lembrar de como foi parar naquele hospital, sem saber ao certo em quem pode confiar.
“Inferno” é um livro de ficção, mas que contém aspectos e dados reais sobre o futuro da humanidade. Mergulhando no universo da história e da arte, o autor faz uma releitura do “Inferno de Dante Alighieri” (a primeira parte de “A Divina Comédia”), talvez a principal obra que influenciou a concepção que os católicos têm sobre o inferno. Esse é um dos pontos que torna o livro interessante.
Mas a parte mais polêmica é a que ele descreve as graves consequências que o crescimento populacional pode ocasionar em um futuro próximo. Brown utiliza dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que mostra uma elevação da população em pouco espaço de tempo – principalmente a adulta, devido ao aumento da longevidade -, o que poderia levar a um caos. A elevada população passaria por grandes dificuldades, já que não teria água, alimento, emprego e espaço suficientes para todos.
Esse tipo de tema já foi abordado em outras publicações, de forma diferente. Um exemplo é o livro “As Intermitências da Morte”, de José Saramago. Neste caso, a história é sobre a greve da Morte. Ou seja, ninguém morre mais, e começa um crescimento populacional exorbitante, o que leva a uma verdadeira desordem na sociedade.
O assunto já é discutido também em outros âmbitos. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) diz que, nas próximas duas décadas, os únicos grupos populacionais que deverão crescer no Brasil serão os com idades acima dos 45 anos. A maior expectativa de vida, segundo o IPEA, poderá levar a uma necessidade de mudanças em diversas áreas da sociedade, já que a população deverá ser cada vez mais velha. Portanto, esse mesmo estudo diz que população brasileira deverá encolher a partir de 2030. O fato é que não sabemos o que irá acontecer num futuro próximo, mas esse é um tema sério, que divide opiniões, e que deve ser pensado por toda a população mundial.
O livro “Inferno” vem retomar esse e outros assuntos com muita dose de ficção. Para quem gosta de temas polêmicos, misturado com suspense e ação, recomendo a leitura. O final deixa um pouco a desejar, mas vale a diversão e a reflexão.
Título: Inferno Autor: Dan Brown Publicado em: 14 de maio de 2013