[Crítica] Alemão


Alemão 1Alemão

(Por Ranieri Muricy Barreto)

A cada novo filme brasileiro espero ver a superação de algumas dificuldades. A relativa à mixagem do som já desisti, as relativas ao roteiro também permanecem neste filme.

A história retrata a retomada do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro pela polícia e exército em 2010, em face da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Para isso cinco policiais são infiltrados anos antes e passam a conviver, com a benção dos traficantes, como simples moradores da favela.

Trata-se de um filme de ação e, diferente de Tropa de Elite, a favela é vista por dentro. Mesmo se tratando de um tema batido, o fato dos infiltrados serem encurralados em um cubículo (porão de uma pizzaria), eleva o clima de tensão ao extremo, com desconfianças mútuas, que prende a atenção do expectador na maior parte do tempo. Na verdade, desde o início o espectador não consegue relaxar.

Tive dificuldade de entender o que leva cada um dos cinco policiais até aquela operação na favela. Vale ressaltar que eles mesmos não se entendem em relação a isso, o que pode nos remeter à ideia de que diretor agiu de forma deliberada.

Ao fugir do Playboy (Cauã Reymond) e seu fiel escudeiro Senegal (Jefferson Brasil), chefe do tráfico, os cinco se refugiam no porão da pizzaria de Doca (Otávio Muller). Ali Danilo (Gabriel Braga Nunes), Branco (Milhem Cortaz), Samuel (Caio Blat) e Carlinhos (Marcello Melo Jr.) passam a contar os minutos que ainda restam para a invasão e o resgate. E em constante conflito, cada um exerce um papel já bem comum em filmes do gênero. Um se exalta mais, o outro é apaziguador, outro aventureiro, um apaixonado que morre pela amada e Doca que parece tão distante como se nada fosse com ele. Seria desepero? Sabia que não tinha saída?

O desespero toma conta dos infiltrados pois, o Playboy corta a comunicação (celular, internet) e, mesmo os telefones fixos apresentam problemas. É aqui que os protagonistas passam a expressar suas angústias e conflitos psicológicos. Enquanto isso, um personagem inesperado mostra o despreparo do policial Doca, ou mesmo da pilícia, para uma ação deste tipo. Trata-se da sua faxineira Mariana (Mariana Nunes) que tem a chave do aparelho e vai até lá cobrar uma diária não paga. Isso aumenta mais a tensão interna e novos fatos são revelados.

O filme apresenta momentos de cenas reais, vista por todos durante várias semanas nos telejornais. Cenas que traduzem uma relativa crítica à ação da polícia mas, isso não era necessário posto que, os policiais são tão desastrados que não seriam os perfis adequados para um operação tão complexa. Na linha da realidade, deixa no ar que a operação tem como fato motivador  os eventos de grande porte que ocorrerão no Rio (Copa do mundo e Olimpíadas).

Termino sempre com relato do elenco e aqui destaco Caio Blat e Antonio Fagundes que fazem pai e filho. Destaco também Jefferson Brasil, este sim, faz um típico agente do tráfico e Otávio Muller como sempre maravilhoso. Diferentemente dele, Cauã Reymond, que além de atuar, também é co-produtor do longa, deixa a desejar e não convence como um chefe maior da contravenção.

Título: Alemão (Brasil, 2014) / 109 minutos
Direção: José Eduardo Belmonte
Roteiro: Gabriel Martins
Elenco: Antônio Fagundes, Cauã Reymond, Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz, Otávio Muller, Mariana Nunes, Jefferson Brasil, Marco Sorriso, Aisha Jambo, Micael Borges

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