[Cinema] Philomena

(Por Ranieri Muricy Barreto)

PHILOMENA_900x600_02O filme, baseado em uma história real, se inicia dando uma ideia que se desenvolverá com grandes investigações a partir do momento em que Philomena (Judi Dench) encontra Martin Sixsmith (Steve Coogan, roteiro e produção, além de viver Martin), jornalista desempregado a beira da depressão. Elementos para isso não faltam, trata-se da história de uma menina, enviada a um convento pelos pais e que engravida e dá “por livre e espontânea vontade” o seu filho para adoção em uma Irlanda que parece viver ainda viver sob o signo da inquisição, dado os abusos e absurdos cometidos em nome de Deus!

Após ter seu filho de três ou quatro anos tomado por freiras impiedosas e vendido a Americanos, Phil (Philomena) é obrigada a trabalhar para custear suas despesas, inclusive as do parto, realizado de qualquer jeito e cuja dor já é “parte da remissão dos seus pecados”. Dito por uma madre superirora poderia-se esperar indulgência mas, ao invés disso, inclemência! Passa boa parte de sua vida neste lugar, ou melhor a vida inteira pois as únicas lembranças do filho estão lá.

Podíamos esperar uma série de discursos óbvios sobre a fé (de Phill), a arrogância (de Martin), homofobia mas, diferente disso, o diretor (Stephen Frears) controi um ambiente de muita sensibilidade e reflexões, por parte de Phill e  Martin, aparetemente rápidas mas profundas o suficiente para dar uma sutileza incomum a diálogos e transformer o jornalista de negócio Martin em um homem sensível, deixando prevalecer o mais belo sentimento humano, a solidariedade.

Um jornalista desempregado, cujo objetivo era escrever um livro sobre a história da Rússia é levado a escrever sobre motivos humanos, que segundo ele próprio é para escritores medíocres e leitores idem. Para ele, ir atrás do filho tomado é um negócio e, como nos negócios as regras são dadas pelas situações postas, sem limites à privacidade. A racionalidade de Martin e a fé de Phill dá origem a uma cena belíssima. Diante da vontade dela de se confessar, ele arremata: a Igreja é que devia pedir perdão, que pecados você teria para confessar?”.

Em uma atmosfera sutil e sensível, o encontro mãe e filho se dá após a morte do mesmo, e cenas da infância à adolescência, chegando à vida adulta, passam a ligar mãe e filho, através do namorado deste. Em todo o filme Phill se pergunta se o filho, em algum momento de sua vida, demonstrou interesse sobre a Irlanda, ou mesmo sobre ela, chegando inclusive a acreditar que isso nunca acontecera mas, ao final, vem a uma frase certeira, de quem jamais duvidaria do amor entre mãe e filho: “ele sabia que me encontraria aqui”. Veja para saber o por quê e onde!

E os atores? A jovem Philomena (Sophie Kennedy Clark), de rara beleza, nos momentos em que aparece magnetiza! O confronto entre um ateu (Martin) e uma religiosa (Phill), uma atriz de 79 anos, com um talento extraordinário revela também dois grandes atores, de olhares discretos e sensíveis. Esse antagonismo embeleza o filme do momento em que eles se encontram até o final.

Philomena / 100 minutos

Inglaterra/Estados Unidos/França / 2013


Direção: Stephen Frears

Roteiro: Steve Coogan, Jeff Pope

Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham, Barbara Jefford, Ruth McCabe, Peter Hermann, Sean Mahon, Anna Maxwell Martin, Michelle Fairley

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